
Não é a toa, eu de mão nas cadeiras no retrato de casamento. Ousadia muita casar com aquele mulherengo, boa pinta, comedor. Eita homem bom! Eu havéra de botar minha banca. No correr dusamor, era fatal separar. Amor tanto de muito, não dava mais viver embaixo da mesma telha vã. Em mais uma despedida – das demais da conta que a gente teve – és mulher bonita, gostosa, de meus desejo. Fique não assim, pegada na tragédia de nosso afastamento. Fique não, moreninha, ouvindo as palavras atrapalhadas de dona Amália nessa radiola. Mais uma vez me comeu, nunca homem um outro soube fazer tão bom que nem ele. Fui todinha como de sempre. Ele e eu era um só em cima de qualquer esteira, cama, chão, leito de rio... Viramo amantes. Eu no lugar dela, ela no meu (nunca!). Cada despedida, nova paixão. – Não volto mais, mesmo querendo. – Se quizé vim, venha! estou aqui. – Espera não, moreninha, mereces coisa melhor. – Ninguém melhor que tu. – Sou covarde, a outra comprou um revólver. É cedo para morrer de amor. Esqueça não, moreninha... vou te amar de longe por todo o sempre. Morreu muitos anos depois, deixou o chapéu de herança para mim.
O chapéu continua pendurado atrás da porta de meu quarto... “Pois sinto saudade imensa de saudade já não ter*”
*verso de Maria Tereza de Noronha
foto sem crédito, sem identificação, sem data; de lygia sampaio para a coleção maria guimarães sampaio
14 comentários:
Os photographicos tão que tão! Esse é o que há: não é que a gente acaba vendo toda a história quando olha de novo pra foto???
Maravilha, Maria! Nem tenho palavra melhor para dizer o quanto gostei.
Eta, mas a história encarna mesmo na foto!
Os maravilhosos contos eu sei que vêm da sua fértil imaginação, do seu talento, mas e as fotos? Onde arranja tantas preciosidades nessa tua coleção, Maria?
Maria: peguei 6 epigramas de Ildásio, mas são comportados. Ele disse que, quanto aos demais,teria que digitar. Segue o q ele escreveu para mim.
. Gerana deu cambalhota
com o dedo no nariz,
mas quase que ela capota
. bem em cima do Aramis.
Quem também escrevia epigramas era o falecido Wilson Lins.
esses contos são maravilhosos!!! Minha tia, vc ta botando hein?
Outro: de Ildásio Tavares para Adelmo Oliveira
Contemplam 50 anos
do alto desta Bahia
de amizade sem enganos
a mim, Adelmo e a poesia.
Ildásio intitula tais epigramas como "Quadras a modo de afeto". Os mais ácidos eu não tenho, infelizmente, porque aí, sim, tiram boas gargalhadas. Ildásio é incrível, é genial.
Que viagem esse conto..... Adoro essa maneira sua de postar..
Maravilha!
Jô
E o que é essa foto? Onde vc descobre tanta coisa?
Jô
não sei qual melhor: o conto ou a photo. já sei: os dois!
Que falta vc estava fazendo nos meu Monólogos. pensei que estava de mal! rs
Que conto! Tão próximo, parece à vera.
Adorê.
Bj,oto,tchau
Maria: nosso amigo me mandou vários epigramas e disse que posso passar para vc. Só que eles são mais apimentados (muito apimentados), não dá para colocar aqui. Não sei seu e-mail.
Adorei! Louca para ler seu novo livrinho:)
bjs
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