
Caro Alex Baradel
Primeiro agradeço por você ter relido a Muito e visto que em minhas palavras nada há sobre “cópia”. Valeu.
Onde é possivel ver mais fotos desse fotógrafo? (além da exposição
Estou muito interessado por Pierre Verger e sua obra, e não entendo que mal Pierre Verger fez em relação a Voltaire Fraga para a senhora parecer tão amarga contro Verger (é apénas porque Verger é mais conhecido que o Voltaire Fraga? E porque Verger é francês de nascimento? Ele se comportou mal por alguma coisa?). Amarga, eu? Nan, nanin, nanão! Amargurarada por Verger ser mais conhecido do que Voltaire? Quando me vi com espaços de trabalho, passei a batalhar, junto com Célia Aguiar para divulgar a obra de Voltaire. O conhecer uma obra não implica desconhecer outra. Se hoje, quando qualquer pessoa saca seu celular e publica livro com tais fotos ainda há lugar para todos... imagine nos anos 40, texto do “Fotografia na Bahia 1839-
Pierre Verger, que será visto na 2ª parte deste livro, chega à Bahia recomendado, através bilhete manuscrito, por Dr. Rodrigo de Mello Franco – diretor do Iphan, ao Prof. Godofredo Filho do Iphan-Ba. O “talentoso escritor e artista francês” não só recebe total assistência para realização das fotografias destinadas à reportagem da revista “O Cruzeiro”, como, a seguir e durante algum tempo, realiza diversos trabalhos para a instituição federal, devidamente comprovados através de orçamentos e recibos ali arquivados.* [* Cunha, Huides. A Fotografia, a imagem e o Patrimônio Histórico na Bahia 1937 à 1967. Salvador, 1997 (inédito)] Vive Pierre Verger na Bahia até à morte, quase aos cem anos de idade. O conhecimento de seu trabalho fotográfico, pessoal, dá-se graças ao trabalho de publicação de Arlete Soares a partir de 1980.
Da década de 40, período de expansão do amadorismo, a novidade na Bahia é a etnofotografia, além de Verger e Voltaire, lembre-se ainda Oscar Carvalho, Alexandre Robatto Filho e Marcel Gautherot, francês, que do pouco tempo passado na Bahia, deixou expressivo trabalho sobre a Região do São Francisco e do Recôncavo da Bahia.
Na minha infância e início de adolescência conheci de perto Verger, uma certa convivência porque minha família e ele freqüentavam as casas de Mário Cravo, de Carybé, de Jorge Amado, Axé Opô Afonjá desde o tempo de Mãe Senhora. Quantas vezes, descendo o Taboão, a pé, de mãos dadas com meu pai ele me dizia vamos ver se a moringa de Verger está na janela. Dependendo da falta de pressa um chamava, o outro aparecia e trocavam palavras, amizade. Quando as meninas da Corrupio começam a publicar Verger vou adquirindo tudo, inclusive reedições. O primeiro autografado.
Em seu comentário, Alex, para mim e Marcus no post dele vejo a conversa da sapatada a aborrecer você. Naquele post do Licuri, escrevi um comentário bem humorado. Imagine... eu lá no céu dos fotógrafos a “ajudar” Voltaire a dar sapatadas que ele não daria – pelo que conheci de meu véio... jamais daria sapatada em alguém!
Pensei seria uma boutade... Talvez nosso humor de nascença (seu e meu) tenha diferentes vertentes. Por falar em nascença, passei alguns anos de minha mocidade querendo morar na França. Não rolou. Agora está resolvido, quando chegar um distante dia quero minhas cinzas divididas em dois pacotes. Metade os sobrinhos jogam no rio Subaé
Veja, Alex, quando digo na reportagem da Muito sobre a qualidade de Voltaire versus Verger... defino: para mim. Não estou pedindo nem incitando ninguém para ver da mesma maneira. Repare... Entre os meus contemporâneos, para mim, o fotógrafo da Bahia é Adenor Gondim. E nem por isso eu deixaria de assinar a fotografia preto&branco de Célia Aguiar – como Voltaire, ela sabe da luz –, ou de Claude Santos e seus interiores. Não esqueceria as cores de Aristides Alves, as renovações casamenteiras de Marisa Viana, a urbanidade de Edivalma Santana, a chapada diamantina de Iêda Marques, as viagens de Arlete Soares, Isabel Gouvêa, meu mestre Rino Marconi a deixar para trás a fotografia, nosso Mariosinho (Cravo Neto) que ama Verger. Artur Viana, Arthur Ikissima e tantos caminhos mais de cada um deles, Arestides Baptista, Marco Aurélio Martins, Margarida Neide, Saturnino, Haroldo, Manu, Xando e tantos mais fotojornalistas, e de propaganda como Dario Guimarães, David Glat, Saulo Kainuma e tanto fotógrafo mais jovem. Tanto mar... tanto mar! E um Silvio Robatto, um Anízio Carvalho, um Vavá e um Voltaire Fraga que vieram antes de nós. Destes quatro Anízio está conosco, os outros estão no céu dos fotógrafos com Pierre Verger. Paro de citar nomes, é uma infinidade de gente muito boa, certamente salto ou atropelo fotógrafos sem querer (memória é uma miséra). Tenho certeza: ninguém vai se amargurar por conta de Adenor Gondim, para mim, ser "o fotógrafo da Bahia”. Muitos colegas pensam como eu. Quem pensa diferente lembra de Nelson Rodrigues: Toda unanimidade é burra.
O post ficou longo como eu não queria. Quero, pelo menos, esteja leve, humorado. De bem com você, Alex. De bem com a vida e com a fotografia.
PS. Meu pai também era baianíssimo, filho de famílias do sertão e do recôncavo e o nome? Francês! As irmãs eram Bernadette e Henriette. Somos todos franceses.
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