terça-feira, 31 de março de 2009

brasília vermelha

Meio surdo, tom de voz alto, fala meio pegada. Ele é um cara especial. Formidável! Compra uma Brasília vermelha, equipa-a: jante de raios prateados brilhosos; uma mãozinha grudada no vidro traseiro dá adeusinho; sobre o painel um plástico verde-cheguei tem aplicado luxo em verde-mais-cheguei-ainda; quando o freio é acionado uma bola se acende no câmbio, mostra um caranguejo entre pedregulhos.

Constrói uma garagem de chão batido e telha vã. Arma uma tranpicância de madeira, rampeada e prega lençóis brancos sob o telhado. A Brasília, sobre o andor e sob o baldaquino, livre de umidade e caliças. A Brasília burnida, brilhosa, ninguém a dirige além do dono. “Deixei minha filha dirigir, ela passou em cima de um cocô de cachorro

Em rara saída ele e sua Brasília caem no rio Subaé. Desmonta o amado automóvel, enxuga-engraxa peça a peça, a estofaria seca ao sol. Senta em uma cadeira preguiçosa ao lado do carro refeito, novinho, aprecia a beleza, lê jornal, recebe visitas. Agora... só anda a pé. Um menino, para não correr o risco de ser mal-entendido ou escutado, cutuca o homão, e cara a cara bem labiado diz: me ni no    do   rio!

Aí ele não agüentou mais. Desgostou-se. Vendeu a Brasília vermelha.

foto de anúncio na internet sem autor

PS: o blgspot enloqueceu de vez, voltou a dar intervalo de parágrafo > sem minha ordem!

PS2: juliana disse que a foto era de uma variant... arranjei outra também da net

domingo, 29 de março de 2009

curtindo os dias baianos de janaína

A máquina de Paloma andou de mão em mão. Foto de... Luiza (creio eu); uma das comemorações do aniversário de James, em casa de Beth Ramos e Milton Porsani; itapuã, salvador-ba; 28-3-2009 --- os colegas blogueiros identificam Jana?
Respondendo. A de vestido azul é Beth Ramos. A de blusa vermelha é Paloma. Abraçada com o barbudo é Dôra. Pronto... a de blusa branca e colar azul é JANAÍNA!

sexta-feira, 27 de março de 2009

jussara silveira, tca

Nada a acrescentar à beleza do show de Jussara Silveira. Nas fotos, uma pálida lembrança.
TCA. 
Teatro Castro Alves. Menina pequena... vi a obra. Vi o incêndio em 1958. A Bahia soube do governador Antonio Balbino, em pijamas, aos prantos, no Campo Grande a assistir as labaredas levarem o teatro às vésperas da inauguração. Vi a carcaça por anos e anos na entrada do Garcia. Adolescente... patinei no gelo em pista construída no "palco do Castro Alves".  Mocinha... vi o começo do museu de dona Lina no foyer da carcaça. Moça... fui ao sereno da reinauguração, quando Lomanto passou com Castelo Branco perto de mim, os amigos do Garcia me carregaram levaram embora, tive um ataque. Assisti shows, premiações, teatros mis no palcão, sala do coro, concha acústica do Teatro Castro Alves. Mulher feita... vi o diretor da casa, Márcio Meireles, FECHAR o teatro. Fui ao show de Maria Bethânia, Gal e João Gilberto na re-reinauguração do TCA. Velhota... vou menos à teatro. Ontem, percebi, sob a égide do novo governo baiano, cujo secretário de cultura é o mesmo homem que fechou o TCA, os visitantes dos artistas (funcionários etc), à noite não têm direito a urinar... Os banheiros da entrada de artistas e funcionários são trancados. 
fotos de maria sampaio; jussara silveira no tca (e christine silveira), salvador-ba; 26-3-2009

quarta-feira, 25 de março de 2009

para nilson e todos

Ao ler a culpa é de Marcus Gusmão no blog de Nilson fiquei feliz e (des)culpada. Transcrevo algumas estrofes de um poema e vocês verão tudo! 
(...)
se JOVINA adolescente
faz coisas que nem malaio
quem é a culpada disso?
MARIA SAMPAIO
se MABEL foi ao portuga
e o vizinho tá de soslaio
quem é a culpada disso?
MARIA SAMPAIO
se mãe CLARA tem ciúmes
e de pancada eu desmaio
quem é a culpada disso?
MARIA SAMPAIO
se nós estamos em outubro
e não estamos em maio
quem é a culpada disso?
MARIA SAMPAIO
se dizem que a morte é certa
e nisso não me distraio
quem é a culpada disso?
MARIA SAMPAIO
se recebo carta anônima
sopram no fone e me traio
quem é a culpada disso?
MARIA SAMPAIO
portanto MARIA SAMPAIO
fotógrafa confusista
largue a nikon solte a pua
e retorne ao analista
-------------------
poesia de freud flinkstone
psicografado por mabel/aninha
em outubro/29 de 1980
foto de bernardo guimarães, ao pé do poema 
foto de maria sampaio, do poema emoldurado pendurado na parede do narciso 

segunda-feira, 23 de março de 2009

estarei lá

e  espero encontrar vocês 
26 de março na sala principal do TCA
Troque no TCA, nas secretarias do CAB ou nas voluntárias sociais 1 kit higiene (xampu, creme dental e sabonete) pelo seu ingresso.
recebi o cartazete eletrônico sem crédito algum, nem de fotógrafo nem de criador

domingo, 22 de março de 2009

paqueras

Ele nem precisava se virar ou revirar. Mostrar os quimbas? Jamais! Ele era um homem fino, não era um cachorro.  No árduo trabalho, trancava a sala do mimeógrafo, apagava a luz, os papéis se embolando, o álcool vazando, a máquina a gritar escondia os áis e uis dele e dela. Ele levava a mão dela aos quimbas, sim – porém no escuro. Num instantinho... a dureza maravilhosa do imenso retiflauer mi tristesse a querer conhecer o caniquim de couro dela.

Eles eram do tempo de pinico embaixo de cama e de trepada nas coxas.

Hoje já não há retiflauer, apenas o mi tristesse de uma pequenina murcha diante de um velho caneco enferrujado (o de couro gastou-se nos bons tempos) .

fotos maria sampaio; liberdade, salvador-ba; 2007

sábado, 21 de março de 2009

Gentes amigas blogueiras. Felizmente feliz com o lançamento de Renata e os encontros com os caros e caras colhegas blogais. Super grata a todos vocês com as mensagens fortalecedoras no meu post anterior. Preparo-me para
desembotar
desemborcar
desembestar!
eu fotografada por célia aguiar; parque de pituaçu, salvador-ba; 1998 ou 99

sexta-feira, 20 de março de 2009

embotada

eu fotografada por meu amigo adenor gondim, na ponta de humaitá, em junho de 2008
Apois... estou assim, com o mar da Bahia ao meu lado ou nas costas, sei lá. Quero água, muita água. Até prefiro doce, de rio. A cidade a mais me espiar do que eu a ela.
Quis escrever sobre a alegria do encontro dos é-amigos. Coincidiu com a morte de Gey Espinheira. Embotei. 
Hoje faço exame magnético - espero seja o último da série da atual revisão.
Quando desembotar eu volto a escrever.

sábado, 14 de março de 2009

cadeira vazia

Será a cadeira vazia de Cecília ou a de Lupicínio?
foto maria sampaio; calabar, salvador-ba; 15/10/1982

sexta-feira, 13 de março de 2009

cecília meireles para os é-amigos

Encomenda
Cecília Meireles
Desejo uma fotografia
como esta - o senhor vê? - como esta:
em que para sempre me ria
com um vestido de eterna festa.
Como tenho a testa sombria,
derrame luz na minha testa.
Deixe esta ruga, que me empresta
um certo ar de sabedoria.
Não meta fundos de floresta
nem de arbitrária fantasia...
Não... Neste espaço que ainda resta,
ponha uma cadeira vazia.
foto maria sampaio; calabar, salvador-ba; 15/10/1982
PS: esta porra deste administrador gmail... o blog não faz mais espaço. No poema acima são 3 estrofes de 4 versos cada. E os créditos só saem grudados na última linha do texto. Segui ensinamento de Juan, não deu em nada. Segui de Chorik. Aqui na prova aparecem espaços simples, duplos.... o escambau. Quando publica... nadica de nada! Hoje o gmail me mandou correspondência remetendo leitura para um sítio... em inglês! 

quarta-feira, 11 de março de 2009

olhares

Passeio com minha comadre no rio Sena, comento a pixação de figuras estilizadas a jogar tênis, andar de bicicleta, correr... Ela nada vira, nem nos paredões, cais, viadutos, nada. Só enxergava em grande angular. Aprendeu a "fechar" o olhar, ver detalhes. Adorou .
Pior é o olhar estabelecido, aprendido. Olhar duro enxerga cabelo longo é mulher (atravessados os anos 60 e 70). Cabelo curto é homem. Careca então...  olhares prontos tratam mulher careca-químio como homem.  Quantas vezes eu vá à rua, ó a confusão.
Em uma sala de espera olho para um senhor, digo: eu conheço você. Ele desolhou-me.
Insisto: -- você é casado com uma menina com quem convivi e agora esqueço os nomes. Ele continua querendo fugir de mim.
-- Como é mesmo o nome de sua mulher?
-- Fulana, e ela está aqui!
-- Ah! é isso aí... Fulana, amiga de minha amiga Sicraninha.
Chega Fulana, o marido rápido me aponta e diz à mulher: -- ELE te conhece.
E eu: -- ele não, ELA!
Pronto, ficamos os três na maior intimidade adolescenteaté que o velho bofe dá aquele sorrisinho escrotinho e confessa: -- pensei que era um gay... com as mãos assim (imita meus trejeitos).
Não perdi tempo: -- rá rá... por isso tava todo sério, eim? Com medo do gay estar lhe paquerando!
foto pb: Carmilton Guimarães; 23 de abril de 1949; salvador-ba
foto cor: eu e taninha por Ju Velloso de Mesquita; 14 de fevereiro de 2009; salvador-ba
PS. a menininha careca sou eu no aniversário de um ano

segunda-feira, 9 de março de 2009

música no trem

Ouvira falar... precisou Miro vir do lado de lá do maroceano para me levar. Estação da Calçada. Faltando 10 minutos para as 14, e 14 é a hora marcada, o alemão e a inglesa presentes.  Prontos a seguir pelos subúrbios ferroviários ao som de charanga a tocar marchinha.
Miro e eu velsamos e revelsamos com os camisados (25 rial a camiseta), entramos no trem errado, tomamos frescorola sentados no chão na ponta de uma sombrete, entramos no trem certo. Vagão errado: enormes caixas de som trieletrificadas. De repente bate na caixa dos peito uma música nunca ouvida (por mim... não sei se pagode, axé... não sei!). Corremos.
 Logo mais chega a charanga em nosso novo vagão.
Chegam para a farra as companheiras da terceira idade, animadérrimas.
Jardineira, me dá um dinheiro aí... às 15:30 soa o apito do trem, lá vamos nós subúrbios afora.
Alegria, muita dança, cantoria, Cidade Maravilhosa, primeira parada: Plataforma. A nos dar pisquitil: o puf-puf da travessia à Ribeira. O trem estava muito bom, estava bom demais. Primos com educação de belços semelhantes... como recusar o chamamento gentil do barquinho?
Linda travessia. Desembarcamos na Ribeira.
(o próximo trem será de forró, quem se habilita?)
fotos maria sampaio; bahia, salvador-subúrbios; 8-3-09

sexta-feira, 6 de março de 2009

herança

Vivo meus últimos dias nesta roça jogado cuidado por duas amas, também tuberclosas, em melhor estado do que eu. Ninguém quer aventurar aproximações a um tuberculoso em último grau. Paguei a peso de ouro a vinda do retratista. Viria, mas sequer aproximar-se-ia da casa. Veio. Coloquei o chapéu na cadeira para deixar bem claro, o resto do dinheiro resultante de tudo já liquidado jogarei no rio a manhã para que me puxe e leve quando eu "saltar da ponte e da vida". O chapéu será minha única a herança.
retratado e retratista desconhecidos; foto da coleção maria guimarães sampaio

quarta-feira, 4 de março de 2009

retratos baianos

elena da flauta (elena rodrigues)
foto maria sampaio; salvador-ba; 8-6-93

segunda-feira, 2 de março de 2009

continho

Dirige na mão. Caminhão corta, arrebenta casarão do século passado. Pára. Xinga o motorista, motorista agride. Policiais: prende, não prende – arrebenta, não arrebenta – bota no camburão. Não é delegacia, é igreja do século XVIII. Parentela arrodeia, maridão se finge de estátua. Policiais. Varandas. Coronéis enfartados.

foto de maria sampaio; janeiro de 1982; lavagem; santo amaro-bahia