quinta-feira, 30 de abril de 2009

eunice

Suave e meiga, querida Eunice colega do Grupo Bem Viver. Uma das grandes "trabalhadoras" em bordados, bainhas-abertas, acabamentos em máquina-de-costura, produziu como que para o bazer 2008.
Ontem nos deixou. Saudade.
foto maria sampaio; eunice no bazar do núcleo de oncologia em benefício das crianças do nacci e do erick loeuff; 17-12-2008

quarta-feira, 29 de abril de 2009

maria bethânia

Dia 23 de abril, de pirraça, a faixa se escondeu no miolo do computador, quero São Jorge. “Brasileirinho” está ali, ao alcance da mão, máquina não me vence, coloco o disco no dito compu. Ótimo, fico ouvindo “Brasileirinho”  seguidamente. Felicidade se acha em horinhas de descuido. [1]

Os telefonemas de Tutu meu irmão são formidáveis, um dos de hoje: cada dia mais, tenho certeza, você já matou todos os caranguejos... tá vendo não? Seu jeito, sua cor, seu cabelo! Tem caranguejo nenhum! Acabou! De câncer você não morre. Me toquei, havia parado de trabalhar, estava ali, ó: escutando, escutando brasileirinho. Vendo minha vida passar dentro do mundo a girar – enquanto a Lusitana roda. Saúde que foge / volta por outro caminho, J.Velloso acabara de me dizer pela voz da tia. 

Meus parentes e amigos mis, camaradas, camaradinhos, conhecidos (e os tenho com idades variadas de 10 a 102 anos). Maria Bethânia faz parte do repertório de vida deles e delas. Para embalar a alegria, para curtir a dor de corno, amar, resistir, lutar, rezar... Para rir ou chorar. Para viver!

Maria Bethânia com seu canto (e palavra falada) leva mais do que música ou emoção, leva paz! Vida. Fé.

Quem sabe? Talvez seja difícil Maria Bethânia avaliar o quanto de bem distribui a milhões de pessoas. E o quanto toda gente quer de bom para ela.


[1] Guimarães Rosa

fotos de maria sampaio; maria bethânia no tca, salvador-ba, em 1972; maria bethânia e rodrigo velloso, dia de procissão, santo amaro-ba, em 1982

terça-feira, 28 de abril de 2009

retratos baianos

nilda spencer
grande dama do teatro baiano
foto maria sampaio; norma studio fotográfico, salvador-ba; 1996

domingo, 26 de abril de 2009

imposto de renda

Cuidado cantor pra não falar palavra errada diz uma canção. Cuidado contribuinte para não errar na declaração, dirá o leão?

Troco idéias com a amiga Ana Lucia. Viajamos nas folhas duplas e entre elas as simples. Tudo com frente e verso, azuis. Sombreadas. O bendito (?) manual lido e trelido, rabiscado, anotado pra não falar palavra errada. Tudo à lápis, rascunhos remendados.

Contas, muitas contas nas enormes Burroughs, de manivela. Declaração conferida e reconferida é hora de ajustar os formulários, com papel carbono no meio, enfiar cuidadosamente na Olivetti e datilografar a merda toda. Ainda corre o risco do carbono entrar aos contrários ou torto. O pior está por vir: as filas na Receita Federal. Ou nos bancos. 

PS. hoje passei muitas horas na emergência do hospital português, vista, revista, conferida em chapas e líquidos de mim extraídos. Rascunhada pelo plantonista e pelo oncologista, conferida, os carbonos sem entortar, palavra certa: pneumonia. Repouso tarará-tá-tá. Antibiótico à horas certas. Sou obediente. Cumpro. Ficar lá? ainda bem que não, tenho o imposto de renda de Pião e Jú para internetar.

eu e o imposto de renda em março de 1986, fotos de Célia Aguiar; demais ilustrações da internet

sábado, 25 de abril de 2009

expo de IVONETE, na galeria da ebec

Convido a todos: Ivonete participa de uma coletiva e espero que queiram ver os trabalhos: EBEC Galeria de Arte Rua Amazonas, 746 - Pituba Abertura 29 de abril 19h Visitação de 29 de abril a 29 de maio de 2009 de segunda a sexta das 09h às 19h Esperamos todo mundo lá.
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imagem e texto "roubados" do blog de ivonete

quinta-feira, 23 de abril de 2009

toda casa tem um quadro de são jorge

azulejo barcelonês, presente paloma
Em toda casa tem um quadro de São Jorge
Em toda casa onde o santo é protetor
Num barracão, num bangalô de gente nobre
Há sempre um quadro desse santo Salvador
Quem é devoto é só fazer uma oração
Que o guerreiro sempre atende
Dando a sua proteção
Por isso mesmo não devemos esquecer
A grande data dia 23 de Abril
Vamos cantar com alegria e prazer
Porque São Jorge é o padroeiro do Brasil

  padroeiro do brasil, de ary monteiro e irany de oliveira 

repr. ícone croata, adquirido em dubrovnik

repr. ícone bizantino, adquirido em madrid
miniaturas; à esquerda: presente de dona canô - à direita: presente de miro
azulejo espanhol, adquirido em madrid
estandarte; autoria e presente de dinorah oliveira
azulejo; autoria elkenberger, presente washington falcão
escultura em madeira, do ceará, presente jussara silveira; escultura em barro, de barra, adquirida em salvador
nicho, autoria e presente de maria joão amado
azulejo, autoria e presente de miro paternostro
pedentifs; medalhão presente de ju velloso; quadrado presente de padre alfredo; ouro maior presente de marialeonor e marise pedreira franco; ouro presente de mãe clarita
pins;  presente do segurança do barra38 e adquirido em madri

brigitte

na espanha dia 23 de abril além de se festejar são jorge, é DIA DO LIVRO

e aqui em casa comemoramos meu aniversário

quarta-feira, 22 de abril de 2009

marinheiro

Vestido de marinheiro o menino não conhece o mar. Não conhecerá, nu ou vestido do-que-quer-que-seja. Sertão sem lavras nem pedras preciosas ou ouro-besouro. Perdido. Sertão sem entrocamento estradeiro nem gado leiteiro. Esquecido. Riozim de ordinário baixim sequim. Bodes e cabras. Medo da chuva. Navegação tão curta, nem de cabotagem, menor. Sem viajores sonhos nem esperanças. Uma aperreação em cada retratada face. Marinheiro de nenhuma viagem.

Foto de c.1898 da Photographia Moderna de Generoso H. Portella; coleção João da Costa Pinto Vitória; publicada em “da photographia à fotografia” de maria guimarães sampaio  in “A Fotografia na Bahia 1839-2006” org.aristides alves (vixe... mais crédito do que post).

terça-feira, 21 de abril de 2009

viajantes

Por mares nunca navegados, por ares nunca avoejados lá vão eles em inenarráveis viagens. Ela viaja a sonhar com ele, a esperá-lo em lar cheiroso e apetecível. Ele viaja de mesmo por imundas putáricas camas fedorosas (adora um suvaquinho cheirando a dendê rançoso). Na calada da madrugada viajam juntos dentro de imorredouro amor (ele também adora perfume do talco eucalol). 
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Quem sentir um desejo insuportável de identificar a foto por favor não o faça, qualquer semelhança de fatos&fotos nada mais é do que título de revista de adolphop bloch.
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foto sem assinatura do foto; coleção maria guimarães sampaio; 1923

domingo, 19 de abril de 2009

vejamos e escutemos paloma

Taí... tenho certeza que esta conversa vai ser das boas. Vamos nos encontrar lá na Fundação Casa de Jorge Amado. Espero você. Beijos de
 

quinta-feira, 16 de abril de 2009

trabalheira

Em letras garrafais, "adesivadas" na traseira de automóvel, tenho lido Foi Deus quem me deu. Além do cacófato a me incomodar fico imaginando Deus com o sujetio ou a sujetia nas concessionárias da vida. Chegará Deus com barba ou sem barba? Vestido em terno e gravata ou esportivo em calças jeans, quiçá bermudas? Dará opinião, escolherá marca ou modelo? E na hora H mesmo! Fará financiamento ou leasing? Pagará no cartão ou em cheque? Levará uma caixinha de sapato cheia de dinheiro?
Com tanto trabalho que Deus deve ter para cuidar de um mundão desigual e às avessas, creio tratar-se de abuso,  uma criatura aceitar que ELE lhe dê um caro. Francamente...
foto maria sampaio; estrada bahia-feira; 13-4-2009

terça-feira, 14 de abril de 2009

para marcus

Para Marcus uma foto de João Amaro, uma lembrança de Santa Terezinha. Quando passávamos por aí indo à fazenda de meu tio, ele contava de Santa Terezinha, uma cidade aos contrários.
- o trem entra de ré
- a pessoa mais velha da cidade é dona Mocinha
- o padre tem uma infinidade de filhos
- a prostituta se chama Pureza...
fala Bernardo:
- Joana Boa Sorte pedia esmolas
- D.Branca era negra
- D.Preta era branca
- A Rua Direita era torta
- A Rua da Lama, calçada
Quem, da minha geração, lembrar d'outros contrários deixe nos comentários.
foto maria sampaio; joão amaro-ba; novembro de 1993

domingo, 12 de abril de 2009

macacas

Somos, uma para a outra, Macaca. Ela é também, aqui em casa e para meus amigos: Nanan. O nome de mesmo é Maria Luiza.- Que horas são Macaca? - Não sei... o relógio está quebrado. - Ou... e você sai assim com o relógio quebrado? - Ah! Macaca, pode ter vinte pessoas no ponto do bunzum, todas com relógio. Chega a vigésima primeira, me pergunta as horas. Como eu sei a hora marromeno que estou no ponto, olho o braço na maior pose e respondo: quinze pra uma! - Mas é dodia mermo. - Oxente, de tarde na volta do trabalho, a mesma pose: seis e quinze! - Conserta o relógio, menina ou (ela interrompe) - Não adianta mermo... não uso os óculos e não enxergo pra tá vendo hora!

foto maria sampaio; salvador, 25-12-2006; a menina tem uns olhos escuros lindíssimos, olha só a viagem deste dia... e mesmo sendo lente de contato, é sem grau (tudo como dantes no quartel de abrantes, não pergunte as horas fora de hora).  isto aqui é memória quase continho.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

jejum (?)

mesa de sexta-feira santa
foto maria sampaio; santo amaro-ba; 10-4-98

Paixão de Cristo, sexta-feira santa de silêncios e jejum (uma esbórnia de peixes e dendês), Fernandinha e Aero já nos falaram em seus blogs. Lá em casa era tudo parecido às sextas delas. Exceto TV, não existia no meu tempo de menina.

Almoçávamos em casa de vó Belinha e à tarde íamos à casa de vó Carmena. Minha mãe (nem era de missa, não era carola) ajoelhava diante da mãe dela, pedia a bênção e perdão pelos agravos cometidos durante o ano. Adolescente tomei castigo porque fiz malcriação quererendo ir ao cinema em vez de ir ver vó Carmena.

As fotos abaixo poderiam ser numa sexta-feira santa, reúnem família. Na de 1951 o povo de meu pai, vó Belinha em um domingo qualquer. Na de 1962 o povo de minha mãe, bodas de ouro de vó Carmena e vô Chimbo.

em pé: vó belinha e seus irmãos nonon e joão; sentados: uma visita, dindinha, tutu, eu no colo de tia i, caetana (mulher de tio joão) e minha mãe, hoje restamos tutu e eu. morreram todos.  foto feita por meu pai.

de trás e da esquerda: maneco, hamilton, carlinhos, ruth, gilberto, nanan, delinha; raulinda seguida de carmeninha, tutu, eu, lucia, pião, tio wenceslau, tio joffre, meu pai; em pé as tias célia e leonídia (mãe de bernardo); no bancão: tia magá, tia nícia, tio itamar, vô chimbo, vó carmena, tio carmilton (pai de bernardo), minha mãe, tia glorinha e tio caribé; no chão: ângelo, bernardo, leonardo, maria inês, zezé, eduardo e paulardo. os circulados de vermelho morreram jovens, os de azul com mais de 70. foto feita pelo assistente de leão rozemberg.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

festa de adultos

Festa de adultos. Pais e mães dançam cantam em plena animação. Adolescentes chateiam-se pirraçam-se na varanda. Já não se esmurram como em crianças. Porradas verbais. Dois deles (mais que os outros) se espicaçam. Xarás em masculino & feminino único ponto em comum. Ele, grosseiro: você, metida a comunista, não será nada na vida, eu? sou um artista! Ela, vermelha dentes travados, sussurra alienado e cretino é o que você é.

Velhos os dois, não se vêem, sabem-se. Ela prefere ser um nada alegre, felizmente feliz cercada do amor sólido de parentes-amigos do que ser um tudo solitário e amargo.

foto maria sampaio; santo amaro-ba; 22-6-1985

sábado, 4 de abril de 2009

cap.final do folhetim, brasília vermelha

O homão sobreviveu muitos anos à Brasília. Nunca soube do falecimento. Cada ida a Santo Amaro a amiga continua a dar noticias da Brasília como se fora sobre pessoa amiga.. Passa bem. É lavada com freqüência. Os pneus originais continuam bons...

Personagens do folhetim:

Homão, menino do rio: Vivaldo Costa (com este facão defendia sua brasília vermelha)
foto maria sampaio; santo amaro-ba; 23-11-1980
Jovem empresário: Arthur Guimarães Sampaio
foto maria sampaio; casa dele no horto, salvador-ba; 18-9-2000
Compadre: Luciano Freitas
foto maria sampaio; na presidência do Promoexport, salvador-ba; 1985
Crianças: Juliana Viana Sampaio e André Viana Sampaio
foto maria sampaio em plena embolia, hospitalizada e fotografando todo mundo; cardiopulmonar, salvador-ba; 29-06-2007

Amiga, irmã, comadre, tia-mulher-maravilha: eu

auto-retrato; casa do horto, salvador-ba; 9-9-2000

Ninguém possui foto da personagem principal

sexta-feira, 3 de abril de 2009

cap.4, folhetim brasília vermelha

Um motorista de ônibus encosta a Brasília em frente à escadaria das bichas. Uma colega assistiu pelo retrovisor a dupla desaparecer na praça, veio correndo verificar (ouvira comentários, aqueles dois eram meio doidos...). A comadre entrega o compadre em casa. Toma tento de pegar um guincho (jipe caindo-das-trepeças) para rebocar o carro até a garagem do irmão. Ela dentro daquele jipe pulador, sujo e fedorento, a saboneteira pendurada atrás, lá se vão pela Carlos Gomes atrás de uma passeata de deficientes. Cadeiras-de-roda, bengalas brancas, muletas, cacetes... Quanto tempo na travessia? Quem sabe?

Toma um buzu, vai à colônia de férias. As crianças tomam um susto ao vê-la, querem saber qual novidade a levara até lá. Ela conta... adeus Brasília! O menino e a menina pulam de alegria, dão saltos mortais, fazem guerra de travesseiro, hilários agradecem à tia-mulher-maravilha por mais um feito sem igual.

foto maria sampaio; juliana e andré; salvador-ba; começo dos anos 1980

quinta-feira, 2 de abril de 2009

brasília vermelha, cap.3 do folhetim

Foto de Edivalma Santana

O jovem homem de empresas compra uma marajó para a esposa. O carro da irmã na oficina, Brasília emprestada. Irmão e família passam fim de semana em colônia de férias. Ela vai à missa de sétimo dia de um amigo, na igreja de São Francisco, levando na carona o compadre recém operado.

Quando a Rua Chile enladeira sentido Pç. Castro Alves... cadê freio? O pé corre para a embreagem, tentativa de reduzir à primeira e estancar o carro. O banco solta-se, corre até encostar no traseiro e ela fica de pirninhas penduradas, segurando-se ao volante. E lá vai o carro... Ela joga no meio-fio da praça, estancaria. O carro sobe. [O compadre enxerga-se na mão de Castro Alves enquanto ela, mais dramática, enxerga-se rolando ladeira da montanha abaixo quiçá diretamente naufragada no meio da baía de Todos os Santos]. O compadre ordena: rumalá-desgraça na estátua! Rumou. Estancou.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

brasília vermelha, cap.2 do folhetim

Jovem homem de empresas e muitas associações. Trabalhos demais, filhos pequenos. Falta de tempo ou um pouco de deprê nem tem carro. O pai dá o dinheiro, a irmã coloca irmão e sobrinho no carro leva-os a Santo Amaro.

A irmã fã da Brasília vermelha, amiga do homão, gastara muito papo conseguira: o irmão compra o automóvel.

Em Salvador, a Brasília vermelha fica conhecida como “saboneteira”. As crianças escolhem uma esquina próxima o bastante dos Maristas para o trajeto a pé porém distante o suficiente para os coleguinhas não presenciarem entradas e saídas da saboneteira.

Cada ida a Santo Amaro a irmã continua a dar noticias da Brasília ao homem do vozeirão como se fôra sobre pessoa amiga. Passa bem. É lavada com freqüência. Os pneus originais continuam bons...

foto de maria sampaio; praça, santo amaro-ba; 1980