












Aglomerado de gente. Cortinas, cortinados. Ele todo vestido de branco, espreita, perscruta, espio-na. Aconteceu. Vê-não vê, não sabe o que. A mulher vem furando, passando, pisando. Ele a vê chegar ao centro da roda. Clama pelo filho inerte. Ele a conhece. O homem caído é uma criança, é o filho dela. Bonita, vestida de verde. Como uma Pietá, acolhe a criança-homem por átimo de segundo. Desobriga-se, larga o ser em vida a extinguir-se. O povo se espalha pulando as poças. Um dia ele (vestido de branco) e ela (vestida de verde) unirão suas ruindades para sempre.
foto maria sampaio; boa viagem, salvador-ba; 1-1-86
Madame (aquela, do saveiro) deu corno em seu forte e aparador marido. Preferiu viver com um homem fino, finozinho, um parceiro ideal. O par-de-ambos tinha horror à escatologia. Juntos a odiar mijo, cocô, pum... tudo e tanto, os cus trancaram. Do banheiro da casa fizeram um “roume-tíatri”. Assistiram filmes e mais filmes comendo pizza e pipoca. Explodiram. Foi merda para todo lado, ninguém sabe onde esbarrou xoxota, pau nem cuzinho ou cuzão de ninguém.
foto de maria sampaio; hotel valle flôr palace-pestana, lisboa; 15-04-2007
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primeira estrofe de janelas abertas número2, de caetano veloso, 1971; in caetano letra só;companhia das letras, 1a edição, 2003
foto de maria sampaio; juliano moreira/solar boa vista, salvador-ba; 1982

“Sugestão de pauta”: Por que o SUS vai descredenciar a rede particular que atende paciente oncológico?
Ontem na reunião do Grupo Bem Viver* a colega Rita nos deu a péssima notícia: a partir de dezembro o SUS descredencia as clínicas oncológicas. Nosso Núcleo de Oncologia da Bahia será “exorcizado” já em agosto, soubemos. Todos nós a querer tomar alguma providência. Ofereço a pauta. Acredito no jornalismo.
Se a rede pública hoje não dá vencimento, imagine com o descredenciamento da rede particular.
Há cerca de um mês perdemos uma querida colega cujo tratamento não era feito no Núcleo e sim na saúde pública. Nós acompanhamos de perto suas idas e vindas submetida ao sus. Nós a vimos, já muito fraca, em cadeira de rodas, esperar um dia inteiro pela quimioterapia para, ao fim do dia ser informada: - não tem medicamento (!). Quando era para ser operada (e terminou não sendo) assistimos o “desinternamento” porque médicos(?) buracracia do hospital(?) haviam esquecido de reservar a necessária uti para o pós-operatório. Myriam, do Grupo, trouxe todos os exames e, sem obrigação alguma Dra.Clarissa chegou a receber nossa colega e orientar a família.
O todo poderoso SUS descredenciará hospitais e clínicas oncológicas. Até parece que o SUS tem competência para, somente dentro de sua rede, dar assistência aos pacientes de câncer.
* Grupo Bem Viver: grupo de troca de experiências formado por portadores e ex-portadores de câncer criado pelo Núcleo de Oncologia da Bahia.













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03/05/2009 - 14:28 - Marco Tomazzoni
SÃO PAULO – Distante dos principais palcos da Virada Cultural, o Centro Cultural São Paulo (CCSP) abrigou no final da manhã deste domingo (03) uma atração que, se não era apropriada para o barulho do centro da cidade, poderia tranquilamente estrear no palco do Teatro Municipal. Com lotação esgotada, como de praxe nos shows da Virada com ingressos, a cantora Jussara Silveira, o pianista André Mehmari e o violonista Arthur Nestrovski apresentaram o projeto “Viagem de Verão”, que mescla clássicos da música brasileira com composições eruditas de 200 anos.
| Marco Tomazzoni |
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Jussara Silveira e André Mehmari |
No repertório do trio, pérolas de Dorival Caymmi (“Morena do Mar”), Caetano Veloso (“Nu Com Minha Música”) e Lupicínio Rodrigues (“Um Favor”), mas o que dá o tom do espetáculo são as versões de Nestrovski para peças de Schubert (1797-1828) e Schumann (1810-56). Segundo o violonista, há muito mais semelhanças do que se pensa entre as músicas brasileiras e as dos compositores alemães do início do século 19, época em que se começava a criar o formato de canção, mistura de poesia com melodia e harmonia.
| Marco Tomazzoni |
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Arthur Nestrovski no CCSP |
Antes de deixar o palco, o trio ainda teve tempo de lembrar Beethoven na famosa reconstrução de José Miguel Wisnik para a 5ª Sinfonia, “Baião de Quatro Toques”. No bis, apareceram “Ela e Eu” (Marina Lima) e, a pedidos, entremeada pelo barulho do metrô que passava ao lado, uma nova interpretação de “Serenata”. A insistência valeu a pena e fechou com chave de ouro a apresentação.
---------------------Quem costuma ler "continhos" sabe de minha preferência por textos curtos. Hoje não resisto e copio uma resenha sobre Jussara Silveira do endereço: http://ultimosegundo.ig.com.br

A porta da sala-de-almoço de vidro. Tutu triiiste, de olho comprido, aprecia a chuva cair. – Quer brincar na chuva, meu filho? Nem precisou resposta, bastou o olhar alegre. Minha mãe abre a porta, ele sai correndo a gritar, pular, cantar. Até encharcar-se! Volta. Minha mãe o abraça com a toalha, enxuga que enxuga, passa álcool na caixa dos peitos e nas costas, dá um golotinho de cachaça para secar os brônquios. Ritual da secagem. Adoro voltar da escola, a pé, dia-de-chuvarada, a parar embaixo de pingueira, a pular den’das poças molhar até a carçola, chegar em casa e cair nos braços de minha mãe. Ritual da secagem.
Hoje... parenta de cabra, não boto o pé na rua quando chove.
fotos maria sampaio; itaigara, salvador-ba; 4 e 5/05/2009
PS: no blogão um belo texto do artista plástico Luciano Freitas - clique na capa de um de meus romance, cái lá.