sábado, 30 de maio de 2009

Zé Miguel Wisnik

A quem não foi ontem à aula-show de Zé Miguel Wisnik (acompanhado ao violão de Arthur Nestrovsky) nem posso contar nada. As aulas, palestras, conversas do grande Míguels só vistas e ouvidas. 
A escutar com toda a atenção (e ainda é pouca), é lindo observar cada som da palavra falada ou cantada, apreciar caras e bocas, gestual. Quando as mãos não estão costruindo belezas no ar, descansam a "tocar piano" sobre o corpo.
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PS. algum leitor aê por acaso é careca e usa rabo de cavalo? espie... combina? Cabereca é D+
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PS2. O melhor para qualquer narcisa. Relutei, é verdade, em vir aqui botar banca. Desculpem, amigos. Míguels me dedicou, em cena aberta, Coqueiro de Itapuã de Caymmi.
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foto maria sampaio; reitoria da ufba, salvador-ba; 29-5-2009 (portas e mesas ao fundo, cadeiraslaterais cheias de gente com caras distos e daquilos atrás do mestre, tudo a querer entrar em minha fotografia)

sexta-feira, 29 de maio de 2009

galeria

Fotografia exposta na galeria de 
presidentes do Clube Escatológico de Cu-do-Mundo.
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autorretrato com a câmara embutida do computador portátil e um programinha besta que tem lá dentro e me faz rir; 13-2-2009

quarta-feira, 27 de maio de 2009

íntimas

Lá na Academia, as meninas. Afe! eu estava tão fotógrafa. Gostei de ter ido e de ter escutado conversas que, para mim, não são conversas de todo dia.
Olha aqui, esse jogo não pode ser um a um,
Se o meu clube perder é zum-zum-zum. *
Na mesa, tirante a mediadora, o jogo está dois a dois. Blog, não blog. Será?
Angela Vilma
 Katia Borges. Conheço e amo seus belos poemas.
Mônica Menezes
Renata Belmonte, a dos belos postes de luz e dos ótimos livros.
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PS. Estou velha para ver-ouvir as pessoas em imensas/profundas conferências à guiza de perguntas após palestras. Saí com Marcus depois da fala de Renata (ele precisava voltar ao trabalho)
* versos de cantiga de jackson do pandeiro, autoria de edgard ferreira
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fotos de maria sampaio; academia de letras da bahia (ou baiana de letras?), salvador-ba; 27-5-2009

segunda-feira, 25 de maio de 2009

espreitar

Aglomerado de gente. Cortinas, cortinados. Ele todo vestido de branco, espreita, perscruta, espio-na. Aconteceu. Vê-não vê, não sabe o que. A mulher vem furando, passando, pisando. Ele a vê chegar ao centro da roda. Clama pelo filho inerte. Ele a conhece. O homem caído é uma criança, é o filho dela. Bonita, vestida de verde. Como uma Pietá, acolhe a criança-homem por átimo de segundo. Desobriga-se, larga o ser em vida a extinguir-se. O povo se espalha pulando as poças. Um dia ele (vestido de branco) e ela (vestida de verde) unirão suas ruindades para sempre.

foto maria sampaio; boa viagem, salvador-ba; 1-1-86

sábado, 23 de maio de 2009

final do folhetim escatológico

Madame (aquela, do saveiro) deu corno em seu forte e aparador marido. Preferiu viver com um homem fino, finozinho, um parceiro ideal. O par-de-ambos tinha horror à escatologia. Juntos a odiar mijo, cocô, pum... tudo e tanto, os cus trancaram. Do banheiro da casa fizeram um “roume-tíatri”. Assistiram filmes e mais filmes comendo pizza e pipoca. Explodiram. Foi merda para todo lado, ninguém sabe onde esbarrou xoxota, pau nem cuzinho ou cuzão de ninguém.

foto de maria sampaio; hotel valle flôr palace-pestana, lisboa; 15-04-2007 

sexta-feira, 22 de maio de 2009

saveirada saraivada

Madame nem falava nem admitia escutar cocô, xixi, pum-bufa-ou-peido, nada disso. À alguma necessária referência diria o genérico escatológico.
Em noturna recôncava saveirada uma inesperada "cólica intestinal", a velha e má caganeira. O marido, forte, baixou-lhe as calças, segurou-a na beirada do barco, bunda ao mar. Madame cagou... bustefocou... borrou... excrementou... soltou uma saraivada de merda até o cu fazer bico.
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foto de maria sampaio; rio subaé, recôncavo, santo amaro-ba; 15-11-1980

quinta-feira, 21 de maio de 2009

só ou não

foto de maria sampaio; setembro de 1994; salvador-ba

terça-feira, 19 de maio de 2009

delírios

Sim, eu poderia abrir as portas que dão pra dentro
Percorrer, correndo, corredores em silêncio
Perder as paredes aparentes do edifício
Penetrar no labirinto
O labirinto de labirintos
Dentro do apartamento

primeira estrofe de janelas abertas número2, de caetano veloso, 1971; in  caetano letra só;companhia das letras, 1a edição, 2003

foto de maria sampaio; juliano moreira/solar boa vista, salvador-ba; 1982

sábado, 16 de maio de 2009

começamos

CIDADES
Marco Aurélio Martins/Agência A TARDE
O Hospital Aristides Maltez não tem condições de absorver novos pacientes sem ampliação
O Hospital Aristides Maltez não tem condições de absorver novos pacientes sem ampliação
Agradeço ao jornal A Tarde que acolheu a sugestão de pauta, espero brevemente agradecer a outros órgãos de imprensa. Agradeço sem nominar porque foram muitos os amigos do jornal (ou em torno) que se movimentaram. 
Nada melhor na vida do que AMIGOS. A vida se faz de amizades.
Quanto mais estudo o assunto ministério da saúde/sus x câncer mais indignada fico.  Leia a íntegra da portaria (PDF 116Kb) do Ministério. Se quiser leia uma matéria de divulgação do ministério in  http://www.hc.unicamp.br/imprensa/not-090316-ministerio.shtml. 
No link da portaria está a lista dos CREDENCIADOS DE MESMO, AUTORIZADOS, HOMOLOGADOS pelo sus. Comecei a contar: no Acre: UM hospital!; em Alagoas: três; Amapá: UM; A - MA - ZO - NAS... UM HOSPITAL. Ah pessoal eu comecei a chorar e parei de contar. Aqui na BAHIA: seis na capital e dois em Itabuna.
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foto Marco Aurélio Martins/A Tarde

quarta-feira, 13 de maio de 2009

aos amigos jornalistas

“Sugestão de pauta”: Por que o SUS vai descredenciar a rede particular que atende paciente oncológico?

Ontem na reunião do Grupo Bem Viver* a colega Rita nos deu a péssima notícia: a partir de dezembro o SUS descredencia as clínicas oncológicas. Nosso Núcleo de Oncologia da Bahia será “exorcizado” já em agosto, soubemos. Todos nós a querer tomar alguma providência. Ofereço a pauta. Acredito no jornalismo.

Se a rede pública hoje não dá vencimento, imagine com o descredenciamento da rede particular.

Há cerca de um mês perdemos uma querida colega cujo tratamento não era feito no Núcleo e sim na saúde pública. Nós acompanhamos de perto suas idas e vindas submetida ao sus. Nós a vimos, já muito fraca, em cadeira de rodas, esperar um dia inteiro pela quimioterapia para, ao fim do dia ser informada: - não tem medicamento (!). Quando era para ser operada (e terminou não sendo) assistimos o “desinternamento” porque médicos(?) buracracia do hospital(?) haviam esquecido de reservar a necessária uti para o pós-operatório. Myriam, do Grupo, trouxe todos os exames e, sem obrigação alguma Dra.Clarissa chegou a receber nossa colega e orientar a família.

O todo poderoso SUS descredenciará hospitais e clínicas oncológicas. Até parece que o SUS tem competência para, somente dentro de sua rede, dar assistência aos pacientes de câncer.

* Grupo Bem Viver: grupo de troca de experiências formado por portadores e ex-portadores de câncer criado pelo Núcleo de Oncologia da Bahia.

foto de maria sampaio; itaigara, salvador-ba; 28-4-2009
será que o SUS nos acha com cara de lixo? 

terça-feira, 12 de maio de 2009

cabelo branco

Cabelo Branco 
Henrique Rêgo
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Amar demais é doidice
Amar de menos maldade
Rosto enrugado é velhice
Cabelo branco é saudade
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Saudade são pombas mansas
A quem nós demos guarida
Paraíso de lembranças
Da mocidade perdida
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Se a neve cai ao de leve
Sem mesmo haver tempestade
E o cabelo cor da neve
Às vezes não é da idade
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Pior do que o tempo a nos pôr
A cabeça encandecida
São as loucuras do amor
São os desgostos da vida
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Para o passado não olhes
Quando chegares a velhinho
Porque é tarde já não podes
Voltar atrás ao caminho
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Cabelo Branco é fado. Versos de Henrique Rêgo. Música de Alfredo Marceneiro, dele a gravação de 1972 - escuto no cd ou lp. Em dvd, assisto show de 2005, com dona Argentina Santos, dona Celeste Rodrigues, shenhoire Alcindo de Carvalho e o jovem Ricardo Ribeiro. 
fotos de maria sampaio
dona argentina em sua banca na entrada da Parreirinha d'Alfama a vender CDs e DVDs, lisboa, 2007
autorretrato no apê do itaigara, 12-5-2009

domingo, 10 de maio de 2009

brindemos

as fotos à direita de quem olha o blog descansam por ali alguns meses. quando troco por novas... aquelas fotos desaparecem do blog. guardadas estão neste post.
com Marquinho e Felipão; na casa da Ary Barroso 12, em 1957 - foto tirada por Mirabeau Sampaio; nos 50 anos de Felipão no Hotel da Bahia em 1998 - foto s/cr; no lançamento de Estrela no Rio em 2004- foto de Célia Aguiar
TROCA EM 13-3-2010
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com teresa cristina gonzaga; na famigerada escola da graça, em 1962 - foto tirada por alguma colega com minha máquina e em meu apê do Itaigara em 2009 - foto de Ivonete Moniz Pacheco
TROCA EM 19-12-2009
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com paloma: na casa do rio vermelho em 1965 foto de Zélia e na África em 2008 foto minha. troca em 15-set-2009
tutu, 1950 e 2008 por silvio robatto e adenor gondim (mudado em 13-7-2009)
luciano freitas, 1970 e 2005 por mário bonfim e célia aguiar
miro paternostro, paris 2005, por aninha do tororó
jussara silveira; terceira ponte 1980 e livraria saraiva 2008; por isabela e sandro
bernardo guimarães; sítio mena 1978 e itaigara 2009; por koká e maíra
tomando sol, foto de Lucia e caminhando, foto de burity - anos 1970
as macacas - em guarapari em 1978 por Tito; em Estrela por Célia Aguiar, 2004 e em Rosália por Edivalma Santana, 2008
feijoada dos calouros, com moras em 1968, arembepe
Brindemos de copo na mão
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foto maria sampaio; santo amaro-ba; 10-05-2009

sábado, 9 de maio de 2009

câncer

Se clicar sobre a foto, dá para ler o artigo. Se quiser, depois clique no título do post. Remeterá ao blogão escritas sobre escritos e lá está meu texto dialogando com o artigo acima. Enviei para Jary o editor da página Opinião de A Tarde, que o remeteu ao Zédejesusbarreto que me acolheu bacana. Jary pediu para eu reduzir o texto, reduzi. Depois me telefonou, transformasse em texto mais jornalístico. Agradeci, não conseguiria refazer, falei assim para eles:
Mas jornalístico, com certeza não sairá porque não sou jornalista. Poderia até ter sido. Em 1970, meu marido e eu estávamos cassados pelo 477, ele de medicina e eu de economia, ele trabalhou como jornalista da boa Tribuna da Bahia e eu como secretária de Jorge Amado - poderia ter sido o contrário, tudo era possível e tudo era impossível naqueles anos. Depois a vida continuou por econômicos caminhos medicinais (ou não). Só rindo. 

quinta-feira, 7 de maio de 2009

medo

Jamais aprendeu pronunciar a palavra, licótero já estava de bom tamanho. Barulho de helicóptero. Ele se esconde embaixo da cama. Pensa, pensa, não toma tento do porquê do pavor. Não estivera na guerra do Vietnã, nem da Coréia, em nenhumas guerras estivera. Olhar pro céu para conhecer uma meséra daquelas? Jamais dê jamé. Não era ele cachorro. Era ele gente de cara e dente nariz na frente. Da varanda viu um monstro (silencioso), cheio de hélices no cocoruto ir decepando as árvores até cair em seu quintal. Ele também caiu. Para trás. Morto (sem saber morreu de medo de um falecido helicóptero).
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foto maria sampaio; xaréu (se escondia com medo de gente); horto, salvador-ba; dezembro de 2004

quarta-feira, 6 de maio de 2009

jussara silveira

Jussara Silveira brilha com Nestrovski e Mehmari em show da Virada no CCSP

03/05/2009 - 14:28 - Marco Tomazzoni

SÃO PAULO – Distante dos principais palcos da Virada Cultural, o Centro Cultural São Paulo (CCSP) abrigou no final da manhã deste domingo (03) uma atração que, se não era apropriada para o barulho do centro da cidade, poderia tranquilamente estrear no palco do Teatro Municipal. Com lotação esgotada, como de praxe nos shows da Virada com ingressos, a cantora Jussara Silveira, o pianista André Mehmari e o violonista Arthur Nestrovski apresentaram o projeto “Viagem de Verão”, que mescla clássicos da música brasileira com composições eruditas de 200 anos.

Marco Tomazzoni

Jussara Silveira e André Mehmari

O público tomou rapidamente os mais de 300 lugares da Sala Jardel Filho e se distribuiu até pelos degraus no fundo e laterais do teatro. Atentos, os espectadores pareciam saborear cada nota que saía da afinadíssima Jussara. Intérprete do primeiro time de sua geração, ao lado de Ná Ozzetti e Vânia Bastos, a cantora dosa dramaticidade e talento na medida certa, fórmula tão bem-sucedida que lhe rendeu fama internacional.

No repertório do trio, pérolas de Dorival Caymmi (“Morena do Mar”), Caetano Veloso (“Nu Com Minha Música”) e Lupicínio Rodrigues (“Um Favor”), mas o que dá o tom do espetáculo são as versões de Nestrovski para peças de Schubert (1797-1828) e Schumann (1810-56). Segundo o violonista, há muito mais semelhanças do que se pensa entre as músicas brasileiras e as dos compositores alemães do início do século 19, época em que se começava a criar o formato de canção, mistura de poesia com melodia e harmonia.

Marco Tomazzoni

Arthur Nestrovski no CCSP

O resultado é de uma beleza estonteante. Se as letras de Nestrovski não chegam a ser geniais, pendendo para o lirismo, a interpretação de Jussara, aliada ao violão e o piano, garantem momentos de tirar o fôlego. Schubert inspirou a delicada “Estrela D’Alva”, que ainda cita “Pastorinhas”, de Noel Rosa, e a maravilhosa “Serenata”, na qual Mehmari mostra sua habilidade também nas teclas da sanfona. O instrumento também brilha em “Pra que Chorar”, versão de Schumann alinhada com “Carinhoso”, de Pixinguinha.

Antes de deixar o palco, o trio ainda teve tempo de lembrar Beethoven na famosa reconstrução de José Miguel Wisnik para a 5ª Sinfonia, “Baião de Quatro Toques”. No bis, apareceram “Ela e Eu” (Marina Lima) e, a pedidos, entremeada pelo barulho do metrô que passava ao lado, uma nova interpretação de “Serenata”. A insistência valeu a pena e fechou com chave de ouro a apresentação.

---------------------Quem costuma ler "continhos" sabe de minha preferência por textos curtos. Hoje não resisto e copio uma resenha sobre Jussara Silveira do endereço: http://ultimosegundo.ig.com.br

terça-feira, 5 de maio de 2009

chuva

A porta da sala-de-almoço de vidro. Tutu triiiste, de olho comprido, aprecia a chuva cair. – Quer brincar na chuva, meu filho? Nem precisou resposta, bastou o olhar alegre. Minha mãe abre a porta, ele sai correndo a gritar, pular, cantar. Até encharcar-se! Volta. Minha mãe o abraça com a toalha, enxuga que enxuga, passa álcool na caixa dos peitos e nas costas, dá um golotinho de cachaça para secar os brônquios. Ritual da secagem. Adoro voltar da escola, a pé, dia-de-chuvarada, a parar embaixo de pingueira, a pular den’das poças molhar até a carçola, chegar em casa e cair nos braços de minha mãe. Ritual da secagem.

Hoje... parenta de cabra, não boto o pé na rua quando chove.

fotos maria sampaio; itaigara, salvador-ba; 4 e 5/05/2009

PS: no blogão um belo texto do artista plástico Luciano Freitas - clique na capa de um de meus romance, cái lá.