
Quem não conheceu os dois diria, aquele ali --sentado de braços cruzados, boquinha de beijo ou coração, cabelinho cheio de gumex repartido ao meio--, era um chato de vidinha organizada cada cueca com dia certo de ser usada. Já o outro, --de sorriso meio escondido, galantemente postado de pé--, seria um alegre gozador.
Nem tanto nem tão pouco. Um completando o outro. Cresceram juntos, farrearam juntos. Foram à guerra... e voltaram. Juntos implicavam com uma velha tia criadora e dona da frase: - Fulano, coitado, está liquidado pronunciada ao visitar ou saber de certo progredir de determinadas doenças. Menos de três dias depois o fulano morria. Chamaram a velha: - tia, pode me ver como for, jamais me liquide, se tentares, meu mano te liquidará.
Ela assistiu ambos pegarem a tuberculose, os viu a definhar, não se controlou. Na porta do quarto cochichou para a irmã: meus sobrinhos, coitados, estão liquidados. A visita da saúde se fez, os dois saíram do torpor mortífero, pegaram suas bengalas, deram duas traulitadas na cabeça da tia, assistiram a velha se estrebuchar no chão, falaram juntos: então, sinhá minha tia? Quem foi antes? Foi a senhora ou fomos nós?
Voltaram para cama, deitaram, disseram um ao outro: estamos liquidados. Partiram pra lugar de nunca mais.
foto de autor e fotografados desconhecidos; de nanan para a coleção maria guimarães sampaio










