terça-feira, 29 de setembro de 2009

conto photográphico, irmãos

Quem não conheceu os dois diria, aquele ali --sentado de braços cruzados, boquinha de beijo ou coração, cabelinho cheio de gumex repartido ao meio--, era um chato de vidinha organizada cada cueca com dia certo de ser usada. Já o outro, --de sorriso meio escondido, galantemente postado de pé--, seria um alegre gozador.

Nem tanto nem tão pouco. Um completando o outro. Cresceram juntos, farrearam juntos. Foram à guerra... e voltaram. Juntos implicavam com uma velha tia criadora e dona da frase: - Fulano, coitado, está liquidado pronunciada ao visitar ou saber de certo progredir de determinadas doenças. Menos de três dias depois o fulano morria. Chamaram a velha: - tia, pode me ver como for, jamais me liquide, se tentares, meu mano te liquidará.

Ela assistiu ambos pegarem a tuberculose, os viu a definhar, não se controlou. Na porta do quarto cochichou para a irmã: meus sobrinhos, coitados, estão liquidados. A visita da saúde se fez, os dois saíram do torpor mortífero, pegaram suas bengalas, deram duas traulitadas na cabeça da tia, assistiram a velha se estrebuchar no chão, falaram juntos: então, sinhá minha tia? Quem foi antes? Foi a senhora ou fomos nós?

Voltaram para cama, deitaram, disseram um ao outro: estamos liquidados. Partiram pra lugar de nunca mais.

foto de autor e fotografados desconhecidos; de nanan para a coleção maria guimarães sampaio

sábado, 26 de setembro de 2009

foto fofoqueira

Balcão de mármore, velha confeitaria. Uma poeta e uma escritora conversam até a chegada do café-pequeno. Açucareiro e... A uma só voz as duas dirigem-se ao garçon: uma colher de sopa! É grande! Ele responde: vocês ainda não viram a pica.
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foto maria sampaio; itaigara; 25-set-2009

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

antes de antes

Minha avó Belinha, paterna, mesmo debicando, com freqüência se referia à sua terra natal onde vivera até adulta: Feira de Santana.

Minha mãe, saída aos oito anos de sua Belmonte contava do rio Jequitionha, da casa de vovô, rua de tia fulana, beira-do-rio. Queria voltar lá um dia, saberia ir em cada canto, dizia.

De vó Belinha jamais escutei desejo de voltar à Feira de Santana. Eu conheci esta entrada do sertão, desde muito pequena, lugar sem graça, sem rio, somente só de bom, a feira de segunda-feira cheia de comidas e bigingangas.

Vó Carmena e sua terra, Trecchina de onde viera menina, quase nenhumas lembranças além da pobreza e da terra seca.

Conheci Feira de Santana, de minha avó e da bisavó Mamãe Anginha de maneira natural.

Há muito minha mãe havia morrido quando, com Nanan, fui à Belmonte. O rio, e um jacaré a comer a cidade a cada enchente – a minha memória infantil. Não encontrei jacaré mas caminhei pelas pedras onde um dia minha mãe, descalça, correra de tio em tia, de vovô em vovó. Não sei descrever a emoção. E havia Banda de Música e andei pela cidade ao som de dobrados.

No alto de uma serra, uma terra pedregosa e seca. Chegarei lá. Conhecerei e Trecchina de minha avó Carmena, de minha bisavó Maria. Do lado de lá do maroceano.

fotografias: bisavó maria, s/cr; vó carmena por joão reis; minha mãe por jonas; bisavó mamãe anginha e vó belinha, s/cr; meu pai por jonas.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

reciclar

Meio-dia! panela no fogo barriga vazia!
Nem mais se escuta o dito popular.
Não quero outra vida pescando no rio de gereré é verso de uma canção
Tive meu carrinho de mão, ajudante de ajudante. Construí meu próprio super-quatro-rodas. Reciclei reciclados, cato de tudo. Reciclarão, reciclarei.
Chego em breve ao meu caminhão.
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fotos maria sampaio; itaigara; setembro de 2009

terça-feira, 15 de setembro de 2009

conto photográphico, retratista

Querendo imitar o anjo torto de Drummond uns anjões da boca dura me despacharam para ser retratista na vida. Mandões. Imperativos. Fotografa tu a água, a terra. Natureza e construção. Gente, muita gente. Capta o belo, o sabor. Tenta não fotografar a dor, as dores do mundo são pesadas demais. Injustiças não se resolvem com fotografia. Dona tu serás apenas – e é bastante, do teu olhar enquanto a catarata não o turvar. Se fotografar para ti for pouco, escreve.

Terás amigos. Serás feliz.

Ganhei sortes de São João, espadas-de-Ogum, belas folhagens de comigo-ninguém-pode.

Foto Arthur Sampaio; chame-chame; c.1956 (a tiracolo na menina com blusa de manga comprida uma “bolsa de máquina-caixão”.

domingo, 13 de setembro de 2009

conto photográphico, sol&chuva

A ama-sêca ajuda a vestir-me. Vai chover, digo-lhe eu. Fará sol, diz-me ela. Pela chuva reclamo por uma sombrinha. Uma sombrinha nada mais é do que um guarda-chuva, mas este é para homens. A ama-sêca insiste: coloca o chapéu de palhinha, protegê-la-á do sol. Todo dia, todo dia esta conversa. Nem chovia, nem fazia sol. Púmbleo o céu, marromeno o tempo. Cansei-me do chove-não-molha de tal errada conversa. Cansei-me deste nem phode nem sai de cima. Marquei consulta, eis-me ao lado do divã, no consultório de Dr.Freud.

foto da coleção maria guimarães sampaio; in álbum adquirido por miro em mercado das pulgas na alemanha

sábado, 12 de setembro de 2009

conto photográphico, ó família

Os vizinhos vão ao retratista e se perpetuam em afazeres ou funções nobres. Senhora Don’Anna juntou moedas sonidas e sortidas mandou o menino botar na cabeça um balaio cheio de panelas e colheres de pau e cousas outras da cozinha. Apetrechou-se, fez pose, retratou-se. É orgulho para os gordos filhos terem-na, tantos anos depois de finada, emoldurada-pendurada-na-parede em cozinhança de faz-de-conta das admiradas guloseimas. A mocinha Serafina, tão fina quanto diz o próprio nome, ereta em bela cadeira de espaldar, tricota com o olhar ao longe, perdida em pensamentos provavelmente safados (aquilo lá não era flor para se cheirar). Mas, para quem olha? Moça fina a Serafina. Os analfabetos da vila... sempre engalanados, sentados em pose de leitura. Quando de pé, o livro completa a postura, sustenta cotovelo ou mão do sujeito: letrado para sempre na fotografia.

Ó família... esta minha. A gordota avó com seu característico sorrisinho sarcástico. Ladeada por meu pai e meu tio, seus filhos – jogam cartas. O tio tem cabelo mais escuro, mais encaracolado. Diz ela serem os dois filhos do mesmo pai. Não há quem creia. A velha sempre foi dada ao jogo e ao champanhe. Sobre a grande casa feudal onde vivemos todos... a velha conta histórias cabalísticas, de assombração, bizarras, de valentia. Conta histórias familiares e verdadeiros contos de capa&espada. Se perguntada, ou não, sai-se com conversas atravessadas Não! Jamais! Nunca esta casa foi um lupanar.

Frases assim, impreterivelmente seguidas de risos irônicos e novas falas: se antes de mim, foram todos camponeses de sumíticas e sêcas terras, tirei o leite de que pedras? De que cabra ou de que bode?

Foto de coleção - final do século XIX; in álbum adquirido por miro em mercado de pulgas da alemanha

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

sobre FOTOBAHIA, com resposta de LUCIANO ANDRADE em sequência

9-9-9

Carta aberta de: Aristides Alves, Adenor Gondim, Célia Aguiar e Maria Sampaio,

para: Luciano Andrade

Não possuímos nome registrado em cartório, INPI ou JUCEB. O nome está na memória dos que vivenciamos, dos que coletivamente construímos o trabalho FOTOBAHIA dentro do Grupo de Fotógrafos da Bahia. O nome está na memória dos que, mesmo de fora, participaram ou admiraram a FOTOBAHIA.

FOTOBAHIA remete à grupo coeso, misto de ensinamento e aprendizado. Misto quente!

Se nós que assinamos esta lembrança estivemos unidos por mais tempo em torno de/dentro do crescimento de uma idéia original de Aristides Alves, muitos colegas vivenciaram nossas reuniões, nossos ideais, realizações, exposições. Muitos ali nos formamos, crescemos juntos – continuamos ainda hoje a aprender, prontos nunca estaremos.

Como em todo Grupo, há os que passam como raios. Vapt-vupt. Sem presença continuada ou qualitativa nem participação em discussões e ações. Você, Luciano Andrade, foi um destes! Embora participante das exposições – participar das exposições FOTOBAHIA sempre deu status e registro no catálogo.

Quando você lançou um livro em parceria com Almir Bindilatti estranhamos o título PHOTOBAHIA (seja ph ou f, sempre fotobahia).

Hoje, um de nós (Maria Sampaio) recebeu e-mail delicado apresentando, já largado de seu parceiro do livro, seu novo trabalho individual e internáutico entregando ao mundo o portal comercial PHOTOBAHIA.

“Triste Bahia / Ó quão dessemelhante” (Gregorio de Mattos)

Sem saudosismo, mas com saudade de um tempo onde não se precisava referir a palavra ética porque ética era o normal do viver cotidiano.

Talvez sejamos remanescentes de uma geração envelhecida porém não envilecida.

Adenor Gondim, Aristides Alves, Célia Aguiar, Maria Guimarães Sampaio

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Maria Sampaio, Peço, por gentileza, que publique em seu blog minha resposta à Carta Aberta Luciano Andrade www.photobahia.com.br @photobahia (twitter) Resposta à Carta Aberta de Maria Sampaio Caros ex-companheiros, Me causou espanto e estranheza receber esse e-mail. Por uma série de razões, mas a principal delas diz respeito à ética profissional: 1) sobre usar o nome FOTOBAHIA 2) sobre “largar” Almir Bindilatti e lançar o www.photobahia.com.br Em primeiro lugar, é preciso esclarecer que trata-se de uma questão semântica, ainda que a sonoridade seja a mesma. Como vocês bem devem saber, a formação de palavras implica em morfologia. Se levar em conta a origem de FOTOBAHIA, compreenderão que Bahia é o morfema formador da composição justaposta FOTOBAHIA (foto+Bahia). Sendo assim, photobahia é formado pela composição justaposta photo + Bahia e o livro Photo Bahia não é um nome composto, mas separado. E em nada tem a ver com o FOTOBAHIA reivindicado pelo grupo que vocês afirmam ter autoridade no uso pelo grau de participação e atividades, mesmo sem ter registrado a marca ou aberto empresa. Isso significa que ainda é possível ir à Juceb ou a qualquer órgão de marcas e patentes para registrar o saudoso nome. Reitero: minha marca chama-sewww.photobahia.com.br. Está registrada devidamente com essa grafia. Não há em meus documentos menção à FOTOBAHIA. Sobre “largar” Almir Bindilatti, percebo que há um equivoco na avaliação sobre nossas relações profissionais e pessoais. Almir me convidou gentilmente para integrar o projeto Photo Bahia, editado pela Versal e publicado em 2007. O trabalho é um belo registro fotográfico do Estado. E, ao contrário das insinuações maldosas, Bindilatti conheceu o projeto www.photobahia.com.br e em momento algum se opôs a ele. Esclarecidas as dúvidas sobre ética e semântica, parto agora para a questão moral, que me parece, pelo tom da Carta Aberta, o que mais incomodou o antigo grupo FOTOBAHIA, do qual fiz parte, mas sem o devido reconhecimento dos comandantes, intitulados “historiadores da fotografia da Bahia”. O texto qualifica minha participação de “vapt vupt” ou da turma dos “sem presença continuada ou qualitativa”. Confesso não ter entendido o que vocês classificam de presença qualitativa. Dentre as dezenas de fotógrafos que participaram do FOTOBAHIA 78 (a primeira exposição), uma foto de minha autoria ilustrou o cartaz do evento. E pior: sem crédito, uma bandeira de luta dos fotógrafos brasileiros naquele momento e tema de discussões no Seminário que acontecia em paralelo às exposições do FOTOBAHIA. Atitude comprometedora para um grupo que vem a público questionar valores morais e éticos. De que se trata, Aristides Alves? Esquecimento? Sobrecarga? Ou o fotógrafo “vapt vupt” não merecia ter seu trabalho creditado? Essas questões intrigantes me levaram a outras duas de importância igual. Por que não fui impedido de participar das exposições já que minhas ações eram consideradas ínfimas? E mais: Por que fotos importantes da minha trajetória profissional estampam a edição de “A fotografia na Bahia” (Asa Foto, 2006)? Vale lembrar que fui convidado a participar do livro por Aristides Alves, mesmo depois de ter sido considerado pelo grupo que : “Luciano Andrade não é mais um fotógrafo da Bahia por residir em Brasília”. Estou errado, Célia Aguiar? Se não pude ser um freqüentador assíduo, “uma presença continuada”, foi porque o árduo trabalho na revista Veja, da Editora Abril, me impediu. Não é novidade para ninguém a importância da Veja nos anos 1970 e 1980. Minhas fotos eram vistas por mais de um milhão de assinantes em todo o país. Ao todo, quatro milhões de brasileiros liam a revista semanal naquela época. Portanto, não é verdade que participei das exposições para obter “status e registro no catálogo”. Na Veja, tive a oportunidade de conviver e aprender com profissionais de primeira linha, como Elio Gaspari, Ricardo Noblat, Bob Fernandes e Pedro Martinelli, entre outros. Jornalistas que ajudaram a contar a história política do Brasil e até hoje ocupam espaço de destaque na imprensa nacional. Para os que não sabem, nos quatro anos que trabalhei na sucursal da revista, ganhei um dos mais importantes prêmios do jornalismo: o Prêmio Abril de Jornalismo, outro premio no ano seguinte com a equipe Veja e finalista em mais dois. Carrego em meu currículo ainda o Esso (Jornal do Brasil), ainda hoje, o mais importante do Fotojornalismo, e um honroso terceiro lugar do Prêmio Internacional da Nikon. Meu trabalho foi selecionado entre trinta e quatro mil fotos analógicas de cinqüenta e dois países. Afirmar que eu participava das exposições do FOTOBAHIA em troca de “status e registro no catálogo” é um pouco demais, não acham? Menos, ex-companheiros, menos, por favor. Por essa razão, considero dispensável usar termos deselegantes para desqualificar um profissional com mais de 30 anos de profissão e, de novo, atribuir adjetivos não verdadeiros como “presença pouco qualitativa” ou “vapt vupt”. Ao lançar na rede um projeto planejado há bastante tempo, me enganei ao ter criado uma composição justaposta que pudesse remeter a grupo que imaginei ter contribuído para ser lembrado até hoje como exemplo de bom uso da fotografia baiana. E no qual meu trabalho nunca deixou de fazer parte. Prova disso é a seleção do material para “A fotografia na Bahia”, organizado por Aristides Alves, a foto histórica em que Ulysses Guimarães enfrenta a repressão militar na comemoração do Dia da Abolição da Escravatura, em 13 de maio de 1978, é um dos destaques. Essa e outras milhares de imagens integram owww.photobahia.com.br. O photobahia não é um portal, ao contrário do que vocês afirmaram, mas uma agência de fotografias. E tem objetivos comerciais, obviamente. Justamente por carregar a marca da ética em minha trajetória profissional, optei por trabalhar a semântica de um modo que pudesse remeter à Bahia sem manchar a história de tão significativo grupo. É lamentável perceber tamanho desengano e falta de informação de pessoas que considerava mais do que historiadores, intelectuais de alto nível. Luciano Andrade, São Paulo, 11 de setembro de 2009
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e eu respondo
" Resposta à Carta Aberta de Maria Sampaio " - viu não a carta assinada por quatro pessoas?
Não posso ler sua carta agora. Envio esta rápida palavra para você com cópia para os colegas que comigo assinaram a carta, talvez eles estejam com tempo ou oportunidade para ler sua carta agora. Assim que eu possa lerei. E responderei. E claro, só então poderei verificar a pertinência de publicação no meu blog. Enquantp isto creio que você deva publicar em seu canal aberto que é o seu portal.
Maria
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e luciano andrade responde de novo

Cara, Maria Sampaio, se é o cabeçalho que incomoda, segue alteração com nome de seu "grupo". Sobre a pertinência ou não de publicar, revela a intenção de vocês todos em mostrar apenas um lado da verdade, o de vocês. Vai, então, avaliar se publica ou não minha resposta? Não acredito que uma intelectual do seu porte desconheça o direito de resposta, amplamente discutido naquele grupo. De novo, Maria, o photobahia.com.br não é um portal. Portanto,não é um espaço para esse tipo de imbróglio.

Espero que não seja necessário entrar com ação juducial, pois apesar de o blog se chamar "continhos para cão dormir", há texto e, portanto, o que se escreve na internet e, de algum modo, prejudica alguém ou algo, é passível de processo pelas leis do mundo off-line.

ps. seus colegas estão devidamente copiados; e lamento sua falta de tempo para ler assunto que tanto lhe indignou A pedido de Maria Sampaio: Resposta à Carta Aberta de Maria Sampaio, Célia Aguiar, Aristides Alves e Adenor Gondim

Caros ex-companheiros,

e repete a carta acima
PS. colei as cartas tal qual, não consegui colocar fonte e tamanhos iguais ao post original

domingo, 6 de setembro de 2009

amor de amor

Casa de porta e duas janelas. Corredor ladeia sala de visitas e quartos, chega à sala de jantar. Banheiro e cozinha no quintalzinho. Sala de visitas luminosa pelas janelas-de-rua. Rua de paralelepípedos. Rua velha, perdida, graminosa nos encaixes das pedras. Quartos escuros. O resto, lá para o fundo, tendo o quintal como corredor, clareia.

Pirambeira em rampas, degraus, quintais. Só não passa boi nem passa boiada. Passa ferro, passa roupa-lavada-quarada. Fruta, galinha, flor, verdura. Cachorros podem tudo, da porta da rua (serventia da casa) às piculas, aos baixios da pirambeira pirambeirosa: água transparente, areia alva, maré mansa. Ela desce, bóia olhando o azul do céu até a chegada dele a remar canoinha. Canoa, maré, areia...

Amam-se. Cantam trechos d’Amália... amor pecado, amor de amor, amor de mel, amor de flor, amor de fel, amor maior, amor amado. Carícias, beijos, união gostosa, gostosíssima. Repetidas despedidas. Lá vai a canoinha, versos d’Amália perdem-se p’las areias, p’las águas... tenho um amor, amor de dor, amor maior, amor chorado, em tom menor – em tom menor maior o fado. Choro a chorar, tornando maior o mar, não posso deixar de amar, meu amor em pecado.

Quem é senhor do tempo? Ela sobe a pirambeira, se apronta, chega à igreja. Ele rema, se apronta, celebra. O tempo dá para ele dar a ela a comunhão.

foto maria sampaio; subúrbio ferroviário, salvador-ba; 8-3-2009

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

ainda alela

Com a beleza e o amor de meus adorados sobrinhos Juliana e André represento todos que foram ao Tom do Saber afagar a mim e a Nilson.
Felicidade dá ressaca. Estou completamente alela até hoje.
Grata, gratíssima, graticícissima.
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foto edivalma santana; 1-9-9

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

maravilha

Estou chegando do lançamento, feliz demais para escrever um pouco.
Marcus e Nilson ... ó nós! Bombamos.
Fotos de amanhã em diante.
Beijos agradecidos.
A todos.