sexta-feira, 30 de outubro de 2009
navegar eh preciso
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
volteios



segunda-feira, 19 de outubro de 2009
roma a pompéia



domingo, 18 de outubro de 2009
16, 17 e 18
As fotos estao de 18 para 16 e nào comando este teclado. A trousse nào deu certo de conjuminar com a net. Entonces, vamos. Acima os dois càes no Trastevere.
Vicolo significa BECO? Importante que è de Santa Agata, padroeira das mastectomizadas. A igreja estava fechada.
Esqueci de trazer o pendraive, Miro foi buscar no hotel. Os texticulos prontinhos nao abriram. Tentemos as fotos. O possivel, acima.
Ainda farei um bom post.
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fotos maria sampaio: exceto a dela com Ju feita por Miro Paternostro.
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
ainda sem foto
terça-feira, 13 de outubro de 2009
ir, ir indo

Espelhada no retrato de uma bisavó do sertão, a mulata Mamãe Anginha, penso na bisavó italiana atravessando o Atlantico no final do XIX com um filho e uma filha, assombrada ao conhecer um negro quando o navio aportou nas costas d’África. Penso em vó Carmena, aos cinco anos, na terrível travessia. Carmeninha herdou o nome e frase: “eu não vou poder conhecer minha terra, você vai por mim”. Carmeninha foi com Bernardo. Miro, neto de meu tioavô João também já foi a Trecchina, agora me levará junto Jú minha sobrinha.
autorretrato; itaigara; setembro de 2009
sábado, 10 de outubro de 2009
imperdível MARIA BETHÂNIA
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
conto photográphico, bandoleiro

Namorei, noivei, casei com Linda. Ela apelidou-me Bandoleiro, pediu-me para comprar um cavalo alazão. Trancava-me no quarto, extrapolava as ordens do Pastor, queria (e fazíamos) sexo além do extremamente necessário à procriação. Gostei. Nunca neguei. Íamos às matas e aos riachos. Fascinados, um pelo outro seduzidos, vivemos aventuras portentosas. Em um belo banho de rio um candiru penetrou em meu canal uretral. Linda cuida de meu pênis como se fosse a criança que nunca tivemos. Unguentos. Banhos de ervas. Não há médico ou mezinha que dê cura ou alento. Não expilo nem médico algum arrisca-se remover. Inchado estou, inflamado, sofro dores lancinantes resistentes à morfina. Sem conseguir alívio ou bálsamo que me desse clemência e ao som de meu ensadecido urrar Linda desfaleceu, delira aqui, ao meu lado – temo que jamais ela reencontre o já perdido juízo. Escrevo estas notas com a arma à minha frente, meterei uma bala neste inútil, inchado, doído penduricalho. Se não morrer, matem-me.
fotografado e fotógrafo desconhecidos; in álbum comprado por Miro em mercado-das-pulgas alemão; coleção maria guimarães sampaio
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
conto photográphico, tricô

Desfaleci. Como na cantiga da infância, me acudiram três cavaleiros, todos três chapéu na mão. Não sei com qual dos três me agarrei. Provavelmente com o terceiro porque se fosse com o primeiro não haveria segundo nem terceiro. Bandoleiro, de beleza ímpar, na garupa de seu alazão, levou-me por matas e riachos. Em cada sombra gostosa um acontecimento daqueles sobre os quais não é de bom tom comentar. Preciso coragem para lembrar o banho em cada riacho (que corpo, ó deus!). Se perco meu olhar, não perco. Olhar de ver o que todos enxergam, é bobagem. Olhar perdido? Verdadeiro a abrir portas e janelas lacradas para o mundo. Eu, apenas eu, com meu olhar dito perdido, assisto e gozo cenas bem vividas porém postas em passado longíncuo. Mortas. Nem sei costurar tricô.
fotografada e fotógrafo desconhecidos; coleção maria guimarães sampaio; de álbum comprado por miro paternostro em mercado-das-pulgas na alemanha
domingo, 4 de outubro de 2009
conto photográphico, irmã

Minha irmã é desenxavida. Ombro arriado pareceno garrafa, mãos caídas, braço escorrido do lado do corpo. Antes assim, véve feliz.
O homem dela vestiu branco no casório, não se avexa com o sol quente. Tá costumado, corre atrás de boi brabo nas caatinga todo encourado. O casamento corre certeiro. Ele molha a goela com vontade. Ela reclama de nada? Então não é! monta na garupa de um alazão véi qui ele pussui e lá se vão pros arrasta-pé-sarga-bunda das redondeza. Deixa as fia mais mãe.
Sonfona com xóte, xaxado, baião ou pandeiro mais viola e samba. Tem de tudo, nóis mora na boca do sertão saída do recôncavo. A cachaça começa cedo na feira de sábado té a noite de domingo se acabar. O alazão despeja eles de volta, bebinhos, no alpendre de casa. É segunda-feira, lá vai ela roçar, lá vai ele tanger gado, ferrar gado, cuidiá de vaca parida. No curral ou na caatinga.
Aquela roupa branca do casamento? Todo ano ele veste dia de procissão de Nossa Senhora padroeira do lugar. O vestido de noiva dela? Virou roupa de anjo pras fia nas festa da igreja.
fotografados e fotógrafo desconhecidos; de lygia sampaio para a coleção maria guimarães sampaio
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
conto photográphico, casórios

Lembram de mim? Estive por aqui dia 14 de julho. No retrato de hoje évamos de caminho pra capela, évou de braço mais pai, de mão nas cadeira, o noivo ladeando. Vou indo levando saudade de mãe (danada de sabida nem saiu de casa promóde não apreciar minha derrocada disse ela). Vou indo, deixando em casa u’a boneca véia de pano, minhas panela de barro, a cuia de cabaça, os boneco de sabugo de milho. Évamos nóis tudo de roça afora, um sol quente da disgrama. Que pachochada mais danada, tanta formosura pra nada. Invenção de Pombinha, filha do dono, me ensinou ler e escrever, não posso negar nada a ela. Tracejou festeiro de casamento (sitrudia mostro minha irmã tumbém casano no mesmo dia). Doutô Otávi, se esbaldou nos Kodak. Inda me deram de presente de casório u’a “Frigidaire” (nem sei pra gelar o que), um “Philips” donde inda hoje iscuito as cantiga de dor-de-corno.
fotografados e fotógrafo desconhecidos; anos 1950?; de lygia sampaio para a coleção maria guimarães sampaio
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
dulce

Uma amiga chegou lá em casa, eu estava aos prantos. Um personagem de Rosália Roseiral havia morrido. E a amiga: mas você está escrevendo... não deixe ele morrer. Não pude fazer nada, ele já me havia feito a falseta, morrera. Lá, no livro, nos livros, as histórias e estórias continuarão reais e vivas (ficção que sejam), os personagens não morrerão.
Na fotografia... ah! na fotografia. Personagens permanecem no papel. Ainda correm o risco de uma eu a lhes criar novas vidas em contos photográphicos. Mas as pessoas de mesmo morrem. Minha querida Dulce Sal está em meus negativos, está em meu livro “Recôncavo, Santo Amaro”. Mas ela? De mesmo, de mesmo... foi embora anteontem. Um câncer fulminante a levou.
Foi não. Permanecerá no bem-querer dos amigos, no som de um pandeiro...
foto maria sampaio; dulce no bagacinho dia de lavagem, santo amaro-ba; janeiro de 1985







