sexta-feira, 30 de outubro de 2009

navegar eh preciso

Dia 26/10 Miro nos deixou cedinho em Veneza, nem abri ozoio para nao chorar de saudade. Nao lembro bem os posts postados, nem posso rever agora. No navio a conexao eh dificil, lenta, cara, teclado sem acentos. Escrevo e perco, rascunho e segue.
Ha uma compra de tempo para usar a net na trousse comprada para isto. Minha trousse chinesa nao gosta dos italianos, me parece. Nao se unem. Ca onde estou, nesta bancada embarcada nao ha entradas para pendrive nem memorias... logo, foto impussiviu como diria Isaurinha Garcia.
A primeira parada, ainda na Italia, em Ancona. Juliana e eu nos divertindo milhoes seja nas paradas ou na nave com Paloma, Joao Jorge, Dora e Pedro.
Devo informar> chegarei uma baleia se nao eh politicamente incorreto usar a animalona para tal comparacao. Se em Roma cheguei a emagrecer por conta das andadas, se em Veneza tive uma rera... No navio eh comer, comer, comer, comer e comer. Muita massa, muito pao, vinho e o que mais vier.
O desembarque ontem foi bem mais interessante. Na Tunisia. Fomos em excursao 'as ruinas de Cartago. Das guerras punicas estudadas no ginasio. Da para emocionar sim.
Talvez so volte a blogar quando chegar em casa. Talvez em Malaga se me bater em alguma lanrause barata. De qualquer forma, as fotos postarei quando me assentar.
PS. nao consigo ir aos blogs por conta do tempo
PS2. nos inscrevemos hoje em campeonato QUIZ. Nome de nossa equipe: TIO MIRAMADO > mascote: papagaio > grito de guerra: oxente, gente

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

volteios

o primo Franco com seu filho David e a mulher Romilda, foto Miro Paternostro
uma vista de trecchina, foto maria sampaio
a melhor entrada de toda a viagem, grande almoço em Trecchina, foto no automático
Hoje, chegamos a Trecchina, são muitas emoções (maiores do que as de Roberto Carlos). Não consigo VER como meu bisavô Paternostro saiu daqui no século XIX. A pé até o mar... montando num burrico. Impossível! Depois de Trecchina... pior do que cachorro querendo pegar o rabo. Voltas sobre si mesmos sem chegar a lugar algum. Estradas interrompidas com árvores caídeas e por aí a coisa vai.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

roma a pompéia

terça-feira, dia 20 > não consigo postar um novo, remendo o de ontem. acrescento. o vesúvio nos contempla e lá vamos nós pelo mundo POMPÉIA. escrevo no fogo da emoção.
não sei se curei de vez. ou endoidei completa. caminhei por hora e meia por estes e outros caminhos de Pompéia. deixei os meninos e vim descansar (sinal que a loucura ainda é menor do que o desejo de continuar). o fato de pisar nesta cidade de 8 séculos antes de cristo - o mínimo que seja, já vale a viagem.
claro, quando a gente vai com as castanhas, os totós já voltam com os cajus. ó eles...
Voce sabe o que é passar dias e dias rodando a bolsinha na internet a procura de carro ideal? Voce quer um carro italiano. Escolhe, escolhe, escolhe. Para voce serve apenas se automàtico. Procura, procura, procura.. Pronto. Um Lancia. Cores varias. Paga a reserva. Paga instalaçao GPS. Marcada entrega para as 10. Voce chega as 9.30. As 10.45 te entregam um FUSCAO PRETO (golf) sem GPS.
Enquanto isto "la donna mobille" paquera Miro, o bofe quer pegar Ju e perguntam se sou avo' deles. Simpaaaatico!
Fantastico é chegarmos ao fim da tarde em Pompéia. Visitamos a Igreja da Santisssima NS do Rosario de Pompéia. O hotel é uma maravilha, internet gratis, minha trousse nao pegou. No geral aqui fora, sem fotos. Amanhan as ruinas.
Beijo a todos, votos de saude ao amigo James.

domingo, 18 de outubro de 2009

16, 17 e 18

As fotos estao de 18 para 16 e nào comando este teclado. A trousse nào deu certo de conjuminar com a net. Entonces, vamos. Acima os dois càes no Trastevere.
Em uma praça a caminho di bairro Trastevere
Vicolo significa BECO? Importante que è de Santa Agata, padroeira das mastectomizadas. A igreja estava fechada.
Na feira de Porta Portese, Ju em compras.
Porta Portese è hoje tale e quale as boutiques merquè de qualquer interior baiano.
Em autorretrato, com minha màe a caminho da Piazza Navona
Piazza Navona
Pamteao
Uma da miles fontes, esta no Vaticano
Esqueci de trazer o pendraive, Miro foi buscar no hotel. Os texticulos prontinhos nao abriram. Tentemos as fotos. O possivel, acima. Ainda farei um bom post. . fotos maria sampaio: exceto a dela com Ju feita por Miro Paternostro.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

ainda sem foto

Aviao até Lisboa com Valter Lima e Neuzinha, CLAUDIA VIRGINIA e Alfredào. E vizinhozinho, assim ò: unha e carne... nosso governador. Sem sèquitos, puxando sua malinha, colocando-a no porta-bagagem. Ainda doou a necessaire-latinha a Juliana. Em Roma, esperamos Miro. Ja' sao dez e tanta da noite, combinamos as 6 de la tarde. De amanhan em diante, tentemos que a trousse funcione e entrem fotos. Em tempo: é merveièe atravessar os longuissimos aeroportos embarcada em maravilhosa cadeira de rodas. Em Lisboa, o inesquec'ivel Antonio me conduziu sobermamente.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

ir, ir indo

Espelhada no retrato de uma bisavó do sertão, a mulata Mamãe Anginha, penso na bisavó italiana atravessando o Atlantico no final do XIX com um filho e uma filha, assombrada ao conhecer um negro quando o navio aportou nas costas d’África. Penso em vó Carmena, aos cinco anos, na terrível travessia. Carmeninha herdou o nome e frase: “eu não vou poder conhecer minha terra, você vai por mim”. Carmeninha foi com Bernardo. Miro, neto de meu tioavô João também já foi a Trecchina, agora me levará junto Jú minha sobrinha.

autorretrato; itaigara; setembro de 2009

sábado, 10 de outubro de 2009

imperdível MARIA BETHÂNIA

Corra até à revista Bravo. Leia a entrevista de Maria Bethânia.
em www.revistabravo.com.br escuta-se trechos
e aprecia-se mais fotos de Gabriel Rinaldi autor
do ensaio publicado
.
foto maria sampaio; santo amaro/ba; 16-9-2009

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

conto photográphico, bandoleiro

Namorei, noivei, casei com Linda. Ela apelidou-me Bandoleiro, pediu-me para comprar um cavalo alazão. Trancava-me no quarto, extrapolava as ordens do Pastor, queria (e fazíamos) sexo além do extremamente necessário à procriação. Gostei. Nunca neguei. Íamos às matas e aos riachos. Fascinados, um pelo outro seduzidos, vivemos aventuras portentosas. Em um belo banho de rio um candiru penetrou em meu canal uretral. Linda cuida de meu pênis como se fosse a criança que nunca tivemos. Unguentos. Banhos de ervas. Não há médico ou mezinha que dê cura ou alento. Não expilo nem médico algum arrisca-se remover. Inchado estou, inflamado, sofro dores lancinantes resistentes à morfina. Sem conseguir alívio ou bálsamo que me desse clemência e ao som de meu ensadecido urrar Linda desfaleceu, delira aqui, ao meu lado – temo que jamais ela reencontre o já perdido juízo. Escrevo estas notas com a arma à minha frente, meterei uma bala neste inútil, inchado, doído penduricalho. Se não morrer, matem-me.

fotografado e fotógrafo desconhecidos; in álbum comprado por Miro em mercado-das-pulgas alemão; coleção maria guimarães sampaio

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

conto photográphico, tricô

Desfaleci. Como na cantiga da infância, me acudiram três cavaleiros, todos três chapéu na mão. Não sei com qual dos três me agarrei. Provavelmente com o terceiro porque se fosse com o primeiro não haveria segundo nem terceiro. Bandoleiro, de beleza ímpar, na garupa de seu alazão, levou-me por matas e riachos. Em cada sombra gostosa um acontecimento daqueles sobre os quais não é de bom tom comentar. Preciso coragem para lembrar o banho em cada riacho (que corpo, ó deus!). Se perco meu olhar, não perco. Olhar de ver o que todos enxergam, é bobagem. Olhar perdido? Verdadeiro a abrir portas e janelas lacradas para o mundo. Eu, apenas eu, com meu olhar dito perdido, assisto e gozo cenas bem vividas porém postas em passado longíncuo. Mortas. Nem sei costurar tricô.

fotografada e fotógrafo desconhecidos; coleção maria guimarães sampaio; de álbum comprado por miro paternostro em mercado-das-pulgas na alemanha

domingo, 4 de outubro de 2009

conto photográphico, irmã

Minha irmã é desenxavida. Ombro arriado pareceno garrafa, mãos caídas, braço escorrido do lado do corpo. Antes assim, véve feliz.

O homem dela vestiu branco no casório, não se avexa com o sol quente. Tá costumado, corre atrás de boi brabo nas caatinga todo encourado. O casamento corre certeiro. Ele molha a goela com vontade. Ela reclama de nada? Então não é! monta na garupa de um alazão véi qui ele pussui e lá se vão pros arrasta-pé-sarga-bunda das redondeza. Deixa as fia mais mãe.

Sonfona com xóte, xaxado, baião ou pandeiro mais viola e samba. Tem de tudo, nóis mora na boca do sertão saída do recôncavo. A cachaça começa cedo na feira de sábado té a noite de domingo se acabar. O alazão despeja eles de volta, bebinhos, no alpendre de casa. É segunda-feira, lá vai ela roçar, lá vai ele tanger gado, ferrar gado, cuidiá de vaca parida. No curral ou na caatinga.

Aquela roupa branca do casamento? Todo ano ele veste dia de procissão de Nossa Senhora padroeira do lugar. O vestido de noiva dela? Virou roupa de anjo pras fia nas festa da igreja.

fotografados e fotógrafo desconhecidos; de lygia sampaio para a coleção maria guimarães sampaio

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

conto photográphico, casórios

Lembram de mim? Estive por aqui dia 14 de julho. No retrato de hoje évamos de caminho pra capela, évou de braço mais pai, de mão nas cadeira, o noivo ladeando. Vou indo levando saudade de mãe (danada de sabida nem saiu de casa promóde não apreciar minha derrocada disse ela). Vou indo, deixando em casa u’a boneca véia de pano, minhas panela de barro, a cuia de cabaça, os boneco de sabugo de milho. Évamos nóis tudo de roça afora, um sol quente da disgrama. Que pachochada mais danada, tanta formosura pra nada. Invenção de Pombinha, filha do dono, me ensinou ler e escrever, não posso negar nada a ela. Tracejou festeiro de casamento (sitrudia mostro minha irmã tumbém casano no mesmo dia). Doutô Otávi, se esbaldou nos Kodak. Inda me deram de presente de casório u’a “Frigidaire” (nem sei pra gelar o que), um “Philips” donde inda hoje iscuito as cantiga de dor-de-corno.

fotografados e fotógrafo desconhecidos; anos 1950?; de lygia sampaio para a coleção maria guimarães sampaio

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

dulce

Uma amiga chegou lá em casa, eu estava aos prantos. Um personagem de Rosália Roseiral havia morrido. E a amiga: mas você está escrevendo... não deixe ele morrer. Não pude fazer nada, ele já me havia feito a falseta, morrera. Lá, no livro, nos livros, as histórias e estórias continuarão reais e vivas (ficção que sejam), os personagens não morrerão.

Na fotografia... ah! na fotografia. Personagens permanecem no papel. Ainda correm o risco de uma eu a lhes criar novas vidas em contos photográphicos. Mas as pessoas de mesmo morrem. Minha querida Dulce Sal está em meus negativos, está em meu livro “Recôncavo, Santo Amaro”. Mas ela? De mesmo, de mesmo... foi embora anteontem. Um câncer fulminante a levou.

Foi não. Permanecerá no bem-querer dos amigos, no som de um pandeiro...

foto maria sampaio; dulce no bagacinho dia de lavagem, santo amaro-ba; janeiro de 1985