segunda-feira, 29 de março de 2010

conto photográphico, outro retratista

A severidade de pai aporrinha e a teimosia é de uma mula aqui presos neste fim de mundo onde nasci ele faz contas de cabeça e ganha muito dinheiro com os diamantes e pronto sem nunca de nunca se dar ao trabalho de enfrentar as dificuldades de um garimpo é um atravessador toda vida. Não me deixou estudar na capital nem muito menos me deixou deixou aprender ler com a professora do lugar pra um dia sem tê nem quê me vestir que nem que fosse dia de festa da Padroeira sem ser e me entregou-me uma caixa grande redonda alta e para ele uma com um que de quadrada marromeno. O sinhô retratista contratado de prontidão apreciando as falas grosseiras de pai Toma, põe, mandei buscar em Londón, és doutor agora e eu tumém. Era uma merda de uma cartola que nem a murro entrou ni minha cabeçorra. [anotado pelo retratista quando o filho foi receber as cartes-de-visite]

1867; photo Bernardez; coleção álvaro pinto dantas carvalho

4 comentários:

Chorik disse...

Ai Maria, vou ser sincero. Podem até ser parentes, mas eu senti um clima entre esses dois, ah isso eu senti!

Gerana Damulakis disse...

Boa história, Maria. Adorei.

aeronauta disse...

Oi, Maria, concordo com Chorik!(rs)
Seu continho é ótimo, como sempre.

Bernardo Guimarães disse...

dois filhos do puto!...