
Esqueceu como pensar. Se viriam palavras concatenadas ou soltas, se frases feitas. Seriam feitos apenas de imagens os pensamentos? Esqueceu. Não conseguia pensar. Sem conseguir pensar sentiu dificuldades em compreender o ditofalado por outros ou outras. Sem pensamentos como conjuminar a escuta? Quis dizer a um e a todos: não compreendo. As palavras embolaram – ele não sabe se caíram goela adentro ou rolaram boca afora sem se pronunciarem.
Oceano de perder de vista, a balançar-se sobre as águas. Via a si mesmo assim.
De fora, quem o vê perde-se em pensamentos vãos, inexplicáveis, sobre o ser inenarrável. E não se pense muito sobre isto. Ou aquilo. Capaz de perder o pensamento, a palavra, a escuta. Pior mesmo... seria perder as vistas “furaram os óio do assum preto/ pra ele assim, ái, cantar mió”*. Capaz de perder o rumo. Capaz de virar uma bosta n’água.
“Mil vez a sina de uma gaiola/ desde que o céu, ái, pudesse oiá”*
>>>*versos de Humberto Teixeira em música de Luiz Gonzaga ----foto maria sampaio; travessia do atlântico; 6-11-2009








